Morreu antigo administrador do BES José Maria Ricciardi
O antigo presidente do Banco de Investimento do Grupo Espírito Santo foi vítima de doença prolongada.
O antigo administrador do BES e presidente do Banco de Investimento do grupo, José Maria Ricciardi, morreu esta terça-feira aos 71 anos, vítima de doença prolongada. A notícia, inicialmente avançada pelo jornal Eco, foi confirmada à RTP por fonte próxima da família.
Primo de Ricardo Salgado, Ricciardi foi também presidente executivo do BESI, braço de investimento do BES, entre 2003 e 2017.
Quando o grupo demonstrou fragilidades, em 2013, Ricciardi contestou a liderança de Ricardo Salgado.
O Banco Espírito Santo colapsou no ano seguinte e José Maria Ricciardi manteve-se à frente do BESI, tendo liderado a venda ao chinês Haitong Bank. O antigo administrador do BES foi também candidato à presidência do Sporting Clube de Portugal em 2018.
Em 2014 foi à comissão de inquérito parlamentar ao caso Banco Espírito Santo criticar a "má gestão" da administração de Ricardo Salgado, o então homem forte do BES que hoje está a braços com a justiça.
"Havia progressivamente uma falta de credibilidade junto a muitos colaboradores da empresa, porque havia práticas, no mínimo, eticamente reprováveis", declarou Ricciardi na altura, acrescentando que, "por isso, os prejuízos iam acontecendo e, em vez de serem postos em cima da mesa, eram possivelmente disfarçados".
"Eu fui a única pessoa que tentei mudar o curso das coisas", realçou José Maria Ricciardi na sua audição na comissão de inquérito, adiantando que houve duas tentativas de o afastar das suas funções no grupo.
"Houve duas tentativas para me pôr na rua. Primeiro, em novembro de 2013 e depois, em junho de 2014", contou então aos deputados.
Em 2015, o então primeiro-ministro, Passos Coelho, revelou à mesma comissão de inquérito que José Maria Ricciardi tinha manifestado informalmente a sua preocupação com a evolução do BES e do GES.
Em 2024, Ricciardi contou em tribunal que Ricardo Salgado lhe pediu para "ser solidário com a família" e com a "falsificação das contas" no Grupo Espírito Santo (GES).
c/ Lusa