Morte de Álvaro Cunhal referida na imprensa internacional
A morte do líder histórico do Partido Comunista Português, Álvaro Cunhal, falecido segunda-feira aos 91 anos, é hoje referida na imprensa estrangeira, mas muitos dos meios de comunicação deram a notícia no próprio dia nas edições on-line.
Assim, o francês Liberation relata a luta de Cunhal, que se manteve no Partido Comunista Português (PCP) durante 74 anos, tendo aderido aos 17 anos para combater o "regime reaccionário de Salazar".
O jornal traça o percurso de Cunhal e refere que "Portugal inteiro presta homenagem a este líder histórico do PCP.
O diário ABC de Espanha noticia hoje na sua edição digital a morte de Álvaro Cunhal apenas dois dias depois do falecimento do general Vasco Gonçalves, antigo primeiro-ministro português.
O jornal adianta que Cunhal morreu segunda-feira de madrugada, vítima de doença prolongada.
O londrino Guardian publica uma extensa notícia da morte de Álvaro Cunhal, na qual salienta que, na qualidade de secretário-geral do PCP, o líder histórico poderia reivindicar grande parte da responsabilidade no derrube de uma ditadura de mais de quatro décadas.
O diário refere vários factores para a concretização do 25 de Abril de 1974, nomeadamente o fracasso da guerra nas ex-colónias, uma inflação crescente e o descontentamento dos trabalhadores.
O Guardian salienta que depois do derrube do regime de Salazar, Álvaro Cunhal participou no primeiro governo provisório (1974- 1975), trabalhando de perto com o Movimento das Forças Armadas (MFA).
Refere ainda que Cunhal se manteve na liderança do PCP até 1992.
A edição do Herald Tribune para a Europa, escreve que o "herói nacional" morreu, tendo o governo português decretado um dia de luto, quarta-feira, dia no funeral.
O jornal refere que Cunhal passou cerca de 35 anos na clandestinidade ou na prisão pela sua participação na construção de um Partido Comunista que foi "a única oposição bem organizada à ditadura de António Salazar e posteriormente de Marcelo Caetano".
O norte-americano New York Times cita uma expressão de Álvaro Cunhal, afirmando que o dirigente histórico se considerou "um filho adoptivo do proletariado", dado fazer parte de uma família de classe média.
"Era um orador ardente e uma figura imponente", segundo o New York Times.