MP acusa médico holandês e o psicólogo que o ajudava a operar no casos de cegueira após operações em Lagoa

MP acusa médico holandês e o psicólogo que o ajudava a operar no casos de cegueira após operações em Lagoa

O Ministério Público acusou o oftalmologista holandês Franciscus Versteeg por quatro crimes de ofensa à integridade física por negligência agravada, por quatro pessoas terem ficado parcialmente cegas após operações aos olhos na clínica I-QMed, em Lagoa, no Algarve.

Lusa /

No mesmo processo foi ainda acusado o psicólogo Reinaldo Dinis Silva Bartolomeu por um crime de usurpação de funções.

A acusação, a que a agência Lusa teve acesso, refere, entre outros aspetos, que aquando das intervenções cirúrgicas no dia 20 de Julho (de 2010), o médico Versteeg não cuidou, como se lhe impunha e estava ao seu alcance, de realizar correcta deinfecção e limpeza das instalações do Centro Médico I-Qmed, especialmente do bloco operatório, estrilizando insuficientemente os instrumentos utilizados nas operações.

O MP refere também que utilizou frascos de medicamentos de anteriores intervenções cirúrgicas sem cuidar de os desinfectar, permitindo também que o arguido Reinaldo Bartolomeu o assessorasse na sala de operações sem utilizar luvas.

Desta forma - acusa o MP - "potenciou o aparecimento de bactérias como Pseudomonas Aeroginosa, agente patogénico extremamente agressivo e resistente a um grande número de antibióticos, passível de provocar infecções oculares dos doentes, ccujo risco aumenta com a prática de técnicas invasivas como as intervenções aos utentes Valdelene Aparecida, Leopoldina Rosa, Ernesto Barradas e Michael Donovan".

O MP considerou na acusação que cada um dos arguidos sabia que tais actuações não lhes eram permitidas e eram punidas por lei, tendo das mesmas resultado lesões graves para os quatro doentes que "desenvolveram infecções oculares graves".

Os arguidos vão aguardar o processo com termo de identidade e residência (TIR).

O caso remonta a julho de 2010 e envolve quatro pessoas que ficaram parcialmente cegas após operações aos olhos na clínica I-QMed, em Lagoa, que encerrou pouco depois do sucedido.

Dos quatro doentes, três idosos submetidos a cirurgia para as cataratas ficaram irremediavelmente cegos de um olho, enquanto que a mulher de 35 anos que fez uma operação para colocar lentes intraoculares nos dois olhos ficou apenas a ver sombras.

O médico responsável pelas operações mal sucedidas, Franciscus Versteeg, é holandês, país para onde regressou, pelo que será notificado da acusação por carta rogatória a expedir às autoridades holandesas.

O advogado dos doentes, António Vilar, anunciou na altura que ia avançar com uma ação contra o Estado português por ter permitido que a clínica funcionasse durante sete anos sem licença.

No ano passado, o advogado foi procurado por mais três pessoas, de nacionalidade holandesa, que sofreram complicações após terem sido tratados pelo mesmo médico, em Lagoa.

Os casos são anteriores aos dos quatro doentes operados a 20 de julho de 2010, mas estes pacientes não apresentaram queixa logo na altura.

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