Não existem guetos étnicos ou gangs na Área Metropolitana de Lisboa
O investigador Jorge Malheiros defendeu hoje que não existem guetos étnicos ou gangs organizados na Área Metropolitana de Lisbo a (AML), durante um seminário promovido pela PSP e pelo Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas.
"Não temos esse tipo de gueto (étnico) na Área Metropolitana de Lisboa.
O que temos são guetos de pobreza ou de exclusão, onde vários grupos étnicos pa rtilham espaços comuns com pouca relação com o exterior", disse o professor.
De acordo com o professor da Universidade de Lisboa, há a registar uma "evolução da presença de grupos estrangeiros, especialmente dos PALOP (Países de Língua Oficial Portuguesa), nos espaços mais degradados".
Jorge Malheiros falava à margem do seminário "Construindo Relações de P roximidade: Policiamento e Participação Cívica de Imigrantes e seus Descendentes ", que decorreu hoje no Instituto Superior de Ciências Sociais Policias, em Lisb oa.
Na altura, o investigar apresentou as principais conclusões de uma inve stigação que coordenou sobre a existência de guetos e gangs na AML.
Quanto à existência de gangs, Jorge Malheiros disse que se pode falar e m "soft gangs" e não em gangs organizados com criminalidade premeditada.
"Há, de facto, alguma pequena delinquência grupal, que é mais ou menos esporádica e não faz parte da estrutura organizada e premeditada que associamos aos gangs", explicou.
O investigador defendeu ainda que a predominância de elementos africano s ou descendentes de africanos que se verifica na pequena delinquência associada aos jovens na AML "não é uma questão de natureza étnica".
"Tem a ver com uma discriminação racial e com a exclusão social a que s ão sujeitos. No Porto, por exemplo, constata-se que o mesmo tipo de violência é praticada por jovens brancos e ciganos", sublinhou.
Jorge Malheiros destacou ainda que dentro dos chamados bairros problemá ticos que analisou para a investigação (Cova da Moura e Apelação) a criminalidad e "não é muito elevada".
"Dentro dos bairros, verifica-se dois tipos de criminalidade: a muito v iolenta, que é esporádica, e o tráfico de droga", indicou.
O seminário "Construindo Relações de Proximidade" pretende promover o p oliciamento de proximidade junto das comunidades imigrantes e dos bairros mais p roblemáticos e analisar as contribuições que os imigrantes podem dar para a cons trução de uma sociedade mais segura.