Nova agência para a investigação deve aproximar universidades, empresas e Estado diz relatório
Um relatório hoje divulgado defende que a Agência para a Investigação e Inovação (AI2) deve aproximar universidades, empresas e Estado sem comprometer a investigação fundamental, a que é feita nos laboratórios sem aplicabilidade prática imediata.
O relatório foi hoje divulgado em comunicado pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), que o elaborou com base na auscultação feita a cerca de 70 representantes de universidades, laboratórios, empresas, entidades públicas e associações, entre outros, sobre o desenho da nova agência.
O documento releva que "muitas das inovações que hoje geram impacto económico tiveram origem em investigação desenvolvida anos antes sem um objetivo comercial imediato", pelo que a AI2 "deve garantir financiamento estável para a ciência de base, assente em critérios de excelência científica, qualidade e impacto".
A AI2, presidida desde maio por João Barros, resulta da fusão da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e da Agência Nacional de Inovação (ANI), feita no âmbito da reforma orgânica do Ministério da Educação, Ciência e Inovação iniciada há um ano pelo Governo AD.
O relatório da FCUL, elaborado no quadro da discussão pública do papel da AI2, defende um "modelo de financiamento mais simples e previsível, ajustado às diferentes fases da investigação e da inovação, combinando verbas públicas, investimento privado, fundos regionais e contributos setoriais", bem como o "reforço do talento qualificado e da ligação às empresas através de incentivos à contratação de doutorados pelas empresas".
A nova agência deverá "acelerar a chegada dos resultados da investigação para as empresas, entidades públicas e sociedade" através de apoios financeiros "ao desenvolvimento tecnológico e à transferência de conhecimento" e "orientar parte da sua atuação para áreas estratégicas como crise climática, oceano, energia, saúde materiais avançados, segurança, espaço e instrumentação científica, mobilizando competências e investimento sem limitar a liberdade de investigação".
O documento da FCUL realça, ainda, a necessidade de ser criado um "sistema permanente de monitorização e avaliação" que permita "medir o impacto dos instrumentos de financiamento e apoiar a definição de prioridades com base em evidência".
O relatório foi apresentado na segunda-feira numa sessão na FCUL com a presença de representantes do Governo, Universidade de Lisboa e várias entidades ligadas à ciência, tecnologia e inovação.
Um dos receios expressos pela comunidade científica e académica, que se insurgiu contra a fusão da FCT e da ANI, tem sido o subfinanciamento da investigação fundamental.
O Governo tem assegurado que o financiamento público da investigação de base fica salvaguardado com a nova agência, em funções desde janeiro.