Novo movimento lança abaixo-assinado contra cobrança na A24
O Movimento de Utentes Douro Sem Portagens pôs hoje a circular um abaixo-assinado contra o pagamento de "mais um imposto" na futura auto-estrada A24, que serve o eixo Lamego/Régua/Vila Real.
João Cordeiro, porta-voz do movimento hoje apresentado em conferência de imprensa, lamentou que "o Governo só agora se tenha lembrado da região do Douro e pelos piores motivos", ao anunciar a intenção de cobrar portagens na A24 (actual IP3).
Além do abaixo-assinado, que será posto a circular nas principais cidades e vilas e depois entregue na Assembleia da República, o movimento vai preparar uma recepção ao governante que se deslocar à região para inaugurar o troço Vila Real/Régua do IP3, uma cerimónia prevista para o próximo dia 28.
Está também programada a construção de "portagens virtuais" para distribuir informações aos automobilistas sobre quanto terão de pagar quando o Governo introduzir esta taxa.
"Este é um movimento que emerge da sociedade civil de toda a região do Douro e que se vai debater contra esta grande injustiça que é a taxação de portagens, que constitui uma triplicação dos impostos", justificou João Cordeiro aos jornalistas.
O responsável explicou que, além dos impostos que os portugueses já pagam e das portagens que o Governo pretende cobrar, o preço final dos produtos também será agravado.
Lembrou a importância do sector agro-alimentar para a região, nomeadamente produtos como a carne e o vinho, frisando que "é um sector altamente competitivo, que vai sofrer com esta taxa, uma vez que vai implicar o aumento dos custos de produção".
Por outro lado, "o eixo Lamego/Régua/Vila Real é usado pela maior parte da população, que vai ter de pagar preços absurdos", frisou.
Segundo as estimativas do novo movimento, por exemplo, uma viagem entre Lamego e Viseu custará 3,25 euros aos ligeiros e 9,10 euros aos pesados e entre a Régua e Vila Real vai custar 1,25 euros aos ligeiros e 3,50 euros aos pesados.
"É um ataque a quem trabalha e à classe média. Não podemos pagar mais impostos", sublinhou.
João Cordeiro lembrou que o IP3 é "a única via estruturante construída nas últimas décadas no Douro" e que "não tem sequer perfil de auto-estrada".
Por outro lado, "não existe uma alternativa", uma vez que a Estrada Nacional 2 "é estreita, sinuosa, perigosa, sem segurança e sem possibilidades de ultrapassagem, onde o custo distância/tempo é muito elevado".
O movimento mostrou "estranheza pelo silêncio de algumas autarquias" em relação a este assunto, ainda que tenha tido a indicação de que algumas pretendem apoiar as suas iniciativas.
O porta-voz do movimento disse aos jornalistas estar confiante de que o abaixo-assinado conseguirá reunir "alguns milhares de assinaturas", ainda que admita que "dificilmente atingirá a projecção" do que foi lançado contra o pagamento de portagens no IP5 (futura A25), uma vez que existe menor densidade populacional e pressão de tráfego.
O abaixo-assinado contra as portagens na A25, lançado por um movimento idêntico ao agora constituído no Douro, já ultrapassou os 24 mil subscritores.