Novos atrasos no lado espanhol com dívidas a subempreiteiros de Bragança
Bragança, 27 Fev (Lusa) - A construção no lado espanhol dos acessos à ponte internacional de Quintanilha está suspensa devido à falência da construtora espanhola que deixou 800 mil euros de dívidas a três subempreiteiros de Bragança.
Os três empresários portugueses revelaram hoje à Lusa que decidiram suspender os trabalhos "por falta de pagamento" e temem agora pelo futuro por desconhecerem se vão conseguir retomar os contratos e receber o que reclamam.
Segundo disse o sócio de uma das empresas, Dinis Crisóstomo, "cerca de 30 portugueses trabalhavam nesta obra e a maior parte destes trabalhadores estão agora parados e as empresas com encargos e sem dinheiro".
Esta paragem nas obras poderá implicar mais um revés na abertura ao trânsito da ponte internacional de Quintanilha.
A estrutura sobre o rio Maças corresponde ao último troço do IP4, que liga o litoral à fronteira, está pronta há quase meio ano, mas não tem serventia por falta de acessos no lado espanhol.
A obra resultou de um convénio entre os governos de Espanha e Portugal, tendo a parte portuguesa cumprido, dentro do prazo, a sua responsabilidade no acordo, que correspondia à construção da ponte e dos acessos no lado português.
Já a ponte estava praticamente pronta quando as máquinas iniciaram as terraplanagens no lado espanhol para executar pouco mais de dois quilómetros de acessos à estrada nacional 122, em San Martin del Pedroso.
O Governo espanhol adjudicou a obra à empresa ARAL, com sede em Almeria, no sul de Espanha, que subempreitou quase 90 por cento dos trabalhos aos três empreiteiros de Bragança.
Segundo disse à Lusa Dinis Crisóstomo, sócio da Construtora Mirandesa, "as coisas correram mal desde o início com a empresa espanhola".
Dois dos empresários portugueses suspenderam os trabalhos, há mais tempo, por atrasos nos pagamentos.
A empresa de Dinis Crisóstomo aguentou até há três semanas, depois de ter facturado um milhão de euros e de ter recebido apenas um quarto, tendo a haver 750 mil euros.
Este empresário de Bragança frisou que "foi feito tudo para tentar salvar a empresa espanhola", e que chegou a apresentar uma proposta para a sua aquisição, "sem sucesso".
Da mesma forma, os três empresários portugueses não conseguiram, segundo disse, que o Ministério do Fomento espanhol lhes entregasse a empreitada, preferindo cedê-la a outra empresa do país vizinho.
O governo espanhol procura ainda uma substituta para a empresa falida, o que poderá demorar ainda algumas semanas e atrasar a obra e consequentemente a abertura da ponte.
Dinis Crisóstomo afirmou que os empresários portugueses temem agora serem obrigados a recorrer aos tribunais para conseguirem reaver o dinheiro.
"Isso mesmo foi-nos dito pelo ministério espanhol", disse.
Os empreiteiros desconhecem ainda também se vão continuar a trabalhar com a empresa espanhola, que vier a ser seleccionada, ou se vão ser dispensados, ficando sem trabalho e sem dinheiro.
A construção dos acessos espanhóis começou há cerca de um ano com a conclusão prevista para o final do próximo Verão.
O Ministério português das Obras Públicas garantia, a 07 de Fevereiro, que o Governo espanhol estava a tentar antecipar a conclusão dos trabalhos para o início do Verão de 2008, em resposta a um requerimento do deputado do PSD por Bragança, Adão Silva.
Enquanto os acessos espanhóis não estiverem concluídos, a ponte Internacional de Quintanilha continuará encerrada ao trânsito, apesar de ter sido apontada como exemplo no cumprimento de prazos e sinistralidade laboral, sem registo de vítimas mortais durante a sua construção.
HFI.