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"Novos estatutos da LUSA permitem mais ingerência", denuncia Sindicato dos Jornalistas

"Novos estatutos da LUSA permitem mais ingerência", denuncia Sindicato dos Jornalistas

O Sindicato dos Jornalistas vai apresentar queixa à Comissão Europeia, à Provedoria de Justiça e à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC). Em causa os novos estatutos da Agência LUSA.

Andreia Brito com Frederico Moreno /

Fotografia: Jorge Carmona

No programa da Antena 1, Consulta Pública, o presidente do Sindicato dos Jornalistas denuncia que "este modelo permite mais ingerência". Luís Filipe Simões critica o facto de "os novos estatutos da LUSA terem sido feitos num gabinete de um ministro, sem terem sido discutidos".

As alterações prevêem mudanças no modelo de governação da Agência, que incluem a nomeação de mais administradores executivos pelo Estado, a criação de um Conselho Consultivo e um plano de reestruturação que pode trazer cortes de pessoal e a partilha de instalações com a RTP.

Sobre a fusão entre RTP e LUSA, a Diretora de Informação da Agência Lusa avisa que esta fusão "seria uma perda para o jornalismo. Fazer sinergias a pensar no Excel, estamos a fazer mal ao jornalismo, à Democracia, à sociedade". Luísa Meireles acrescenta que "isso é a negação do jornalismo enquanto serviço público".

Também a RTP atravessa um processo de algumas mudanças. Ana Isabel Reis, Provedora do Ouvinte, dá um exemplo: "vejo com alguma reticência o facto de, nos microfones da RTP, o símbolo da televisão vir a ser muito mais dominante do que o da rádio, que fica muito mais encoberto. E no que isso significa para as práticas jornalísticas do dia-a-dia: estou a falar para quem?".

No Consulta Pública, a Presidente do Conselho de Opinião da RTP, destaca as perdas financeiras da empresa porque "desde 2017, a Contribuição Audiovisual (CAV) não é atualizada ao valor da inflação". Deolinda Machado alerta: "é o que falta: cumprir a lei. Discordamos que a CAV não seja atualizada tal como a lei prevê, a RTP precisa e os cidadãos necessitam".

Durante o debate, o panorama nacional da comunicação social foi também alvo de reflexão.

Na opinião de Luís Marques "temos, cada vez mais, redações enfraquecidas por razões económicas e uma concorrência sem regulação e sem limites". O antigo administrador da RTP relembra que "qualquer entidade pode ter um meio de comunicação social sem controlo nenhum e isso leva a que haja mais informação que não é regulada nem controlada por ninguém".

"Existe uma erosão no jornalismo", refere Paulo Ribeiro. O vice-presidente da Associação Portuguesa de Imprensa adianta que "tem havido encerramento de publicações e emagrecimento acentuado de redações. Os meios de comunicação social sentem falta de receitas para poderem suster os seus projetos".

Arons de Carvalho defende que "é inconcebível que a Lei de Imprensa em vigor seja de 1997. Há muitos anos que devia ter sido atualizada". O antigo  secretário de Estado da Comunicação Social avisa que "temos hoje uma situação difícil porque estamos sujeitos a fenómenos de desinformação preocupantes".

O Jornal do Fundão, tem sido, desde o Estado Novo, um título de causas e de resistência. O jornal está a celebrar 80 anos e ainda vai para as bancas. Um exemplo da imprensa regional, transformado em património, mas com novos desafios, como ouvimos nesta reportagem do jornalista Paulo Braz.
O programa Consulta Pública é moderado pelo jornalista Frederico Moreno.
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