Oficial português na reserva escreve trilogia em defesa do "colono simples"
Bernardino Louro, um oficial de Cavalaria na reserva que serviu também na GNR, revelou, hoje, que o seu livro «O Caçador de Brumas, por essa Vida Acima» é o primeiro de uma trilogia em defesa do «colono simples».
O coronel João Manuel Sena, de seu verdadeiro nome, adiantou, à Agência Lusa, que tem já pronto o segundo volume, «Quando as Árvores Cresceram», e quase terminado o terceiro, «O Cais das Brumas Mortas».
O primeiro livro, editado pela Sete Caminhos, tem sido saudado pela crítica e Joaquim Letria, referiu-se a ele, quarta-feira, no 24 Horas, como «uma obra notável» com «um galope narrativo apaixonante».
«Trata-se de um livro de uma ruralidade ancestral, povoado pelo animismo profundo do povo luena, com ecos de imprevista presença no cenário luxuriante e encantatório de uma África mítica mas teimosamente concreta», comenta ainda Letria.
Nascido em 1939, em Meimoa, próximo da Serra da Malcata, o antigo militar considera que, «quem esteve com os olhos abertos durante a vida» aprendeu muita coisa, numa referência ao conteúdo que transmite na sua obra.
De facto, o coronel foi para Angola em 1968 e é notório que se apaixonou pelos luenas, povo do Sul, e pelos colonos portugueses de origem humilde, «deserdados da sorte».
Mesclavam-se com os naturais da zona, «estavam mais perto das populações locais», defende o autor que pensa que Angola, «como hoje a conhecemos», começou na década de 30, com a construção do caminho-de- ferro de Benguela, que originou um surto desenvolvimentista.
A trilogia começa na terra natal do avó do coronel Sena, Fernão Joanes, na Serra da Estrela, embora o autor não a tenha identificado pelo nome, e deverá estender-se até aos nossos dias, quando os colonos regressaram à Pátria, sem nada.
O «O Caçador de Brumas, por essa Vida Acima» é o primeiro livro do coronel João Sena em venda pública.