"Operação Almirante". Pelo menos 14 detidos em Portugal após buscas por fraude fiscal

"Operação Almirante". Pelo menos 14 detidos em Portugal após buscas por fraude fiscal

Está em curso uma grande operação europeia de combate à fraude fiscal, estando a decorrer em Portugal dezenas de buscas, em várias zonas país. A Procuradoria Europeia deu início a esta operação à escala europeia, cujas investigações começaram na Polícia Judiciária do Porto, devido a um "complexo esquema de fraude ao IVA baseado na venda de bens eletrónicos". No âmbito da "Operação Almirante" foram já realizadas mais de 200 buscas, estando em análise os dados recolhidos e continuando em curso a investigação sobre "os grupos de crime organizado por trás desse esquema".

RTP /
Lusa

(em atualização)

Foram detidos 14 suspeitos de Associação Criminosa, Fraude Fiscal e Branqueamento de capitais e apreendidas 50 viaturas, 47 imóveis e 600 contas bancárias arrestadas, além de mais de dois milhões de euros em dinheiro.

A operação à escala europeia ainda está em curso e partiu de uma investigação com origem na PJ do Porto - local para onde serão levados todos os detidos. A Procuradoria Europeia já confirmou que foram realizadas mais de 200 buscas, "em relação a um complexo esquema de fraude ao IVA baseado na venda de bens eletrónicos", estando em análise os dados recolhidos e continuando em curso a investigação sobre "os grupos de crime organizado por trás desse esquema".

Segundo a mesma fonte, em causa está a "Operação Almirante", iniciada pela Procuradoria Europeia e que está a ser coordenada entre diversos países - especificamente 14 Estados-Membros da União Europeia (Bélgica, Chipre, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Itália, Lituânia, Luxemburgo, Holanda, Portugal, Roménia, Eslováquia e Espanha).

Em Portugal, as buscas terão decorrido Almada, Santarém, Figueira da Foz, Coimbra, Gaia, Porto, Braga e Guimarães, tendo sido feitas pelo menos 14 detenções.

Em causa está a investigação a mais de nove mil empresas, a maioria de venda de material eletrónico e tecnológico, que terão permitido uma fuga ao fisco avaliada em mais de dois mil milhões de euro.

Os detidos em Portugal serão levados para a Polícia Judiciária do Porto, visto que este processo está a ser investigado numa cooperação com o Tribunal de Instrução Criminal do Porto. Sendo uma operação a decorrer a nível europeu, foram mais de 200 as buscas realizadas em 14 países, coordenadas pela Interpol. Trata-se da maior investigação por fraude fiscal a nível europeu e atinge mais de 2,2 mil milhões de euros, como confirmou a Procuradoria Europeia.

A PJ, a Autoridade Tributária e as congéneres europeias estão a apreender grandes quantidades de provas documentais, não apenas em Portugal mas também nos restantes 13 países envolvidos na operação.

A Procuradoria Europeia revela ainda que, em abril de 2021, a Autoridade Tributária Portuguesa em Coimbra "investigava uma empresa de venda de telemóveis, tablets, auscultadores e outros aparelhos eletrónicos, por suspeita de fraude ao IVA", acabando por comunicar posteriormente ao organismo europeu, "de acordo com a sua obrigação legal".

"Do ponto de vista nacional, com base no inquérito administrativo, a faturação e as declarações fiscais parecem estar em ordem", no entanto, uma investigação mais a fundo, entre diversas autoridades, acabou por estabelecer "gradualmente ligações entre a empresa suspeita em Portugal e cerca de 9000 outras entidades legais, e mais de 600 pessoas singulares localizadas em países diferentes".

Dezoito meses depois de receber o relatório inicial, a Procuradoria Europeia expõe "o que se acredita ser a maior fraude em carrossel de IVA já investigada na UE".

Para além da dimensão dos prejuízos, lê-se ainda no comunicado da Procuradoria Europeia, "o que destaca esta fraude carrossel do IVA é a extraordinária complexidade da cadeia de empresas".

"Desde empresas que agem como fornecedoras aparentemente limpas de dispositivos eletrónicos, e aquelas que reivindicam reembolsos de IVA das autoridades fiscais nacionais enquanto vendem esses dispositivos online a clientes individuais – e subsequentemente canalizam o produto dessas vendas para o exterior, antes de desaparecerem – para aquelas que lavam o produto de essa atividade criminosa"
.

As atividades criminosas estão espalhadas pelos 22 Estados-Membros da Procuradoria Europeia, bem como "pela Hungria, Irlanda, Suécia e Polónia, juntamente com países terceiros, incluindo Albânia, China, Ilhas Maurícias, Sérvia, Singapura, Suíça, Turquia, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos Reino e Estados Unidos".
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