Operação Cavaleiro. Ex-diretor do Museu da Presidência condenado a pena de prisão efetiva

Operação Cavaleiro. Ex-diretor do Museu da Presidência condenado a pena de prisão efetiva

Diogo Gaspar, ex-diretor do Museu da Presidência, foi esta segunda-feira condenado a seis anos e seis meses de prisão efetiva por peculato, abuso de poder, falsificação e tráfico de influências. Caiu a acusação de branqueamento. Todos os arguidos tiveram condenações.

RTP /
Pedro A. Pina - RTP

Os outros três arguidos da "Operação Cavaleiro" foram condenados a pena suspensa.

Na leitura do acórdão realizada no Juízo Central Criminal de Lisboa, o juiz considerou a conduta do antigo diretor do museu bastante grave, considerando que traiu a confiança de vários Presidentes da República, nomeadamente Cavaco Silva e Jorge Sampaio, que o condecoraram.
"Foi o senhor que basicamente conseguiu montar o Museu da Presidência. Era uma pessoa digna de confiança, pelo que tinha uma relação muito estreita com os Presidentes da República. E traiu essa confiança, porque quis ter mais do que aquilo que podia ter. Isso levou-o a durante vários anos, no âmbito de várias atividades, vários negócios, a tentar sempre [ver] onde é que havia oportunidade de ganhar mais alguma coisa, direta ou indiretamente", afirmou o juiz Luís Ribeiro.

O coletivo de juízes considerou que Diogo Gaspar se apropriou de diversos bens, com benefício para si, para empresas e círculo próximo.

O processo "Operação Cavaleiro" tinha quatro arguidos - Diogo Gaspar, José Dias, Paulo Duarte e Vítor Santos -, a quem foram imputados 42 crimes, entre os quais abuso de poder, participação económica em negócio, tráfico de influências, falsificação de documentos, peculato e branqueamento de capitais.
A investigação, que ficou a cargo do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, teve início em abril de 2015, na sequência de uma denúncia anónima.

Em junho de 2016, a PJ efetuou buscas e apreendeu em casa de Diogo Gaspar e de amigos alguns artefactos que pertenceriam ao Museu da Presidência.
Advogado vai recorrer

O advogado de Diogo Gaspar anunciou entretanto que vai recorrer da condenação de seis anos e seis meses de prisão, adianta a agência Lusa. 

"O próximo passo é o recurso", afirmou Raul Soares da Veiga, à saída do tribunal.

Reconhecendo que a pena é efetiva e "muito séria", o advogado sublinhou que a decisão do juiz Luís Ribeiro significou uma condenação por "bem menos de metade dos crimes" que tinham sido imputados pelo Ministério Público.

Para o advogado, "há uma série de condenações, muitas, que são injustas", dando o exemplo do crime de tráfico de influência.

"Temos para já a predisposição de recorrer contra isso, parece-me quase impossível chegarmos a outra conclusão. São as regras do jogo: os senhores juízes decidiram o melhor que souberam, o que não quer dizer que essa seja a melhor decisão. É por isso que há tribunais superiores e é por isso que há recursos", explicou o advogado.

Sobre o relevo que foi dado às condecorações recebidas por Diogo Gaspar, Soares da Veiga adiantou que houve um entendimento "profundamente errado", ironizando que talvez fosse preferível que o ex-diretor do Museu da Presidência não tivesse sido louvado pelo seu trabalho.

Este fator "surge não como atenuante, mas como agravante".

"Mais valia não ter feito nada de bem a favor do Estado... Se for assim, parece-me profundamente incorreto e espero que um tribunal superior decida de outra maneira", vincou ainda.

Artigo atualizado às 17h01
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