Ordem dos Médicos defende reforma educativa que reforce literacia digital

Ordem dos Médicos defende reforma educativa que reforce literacia digital

A Ordem dos Médicos defendeu hoje, no parlamento, uma reforma educativa que coloque a literacia digital em paralelo com a tradicional, como aprender português ou matemática, para que os jovens usem de forma segura as ferramentas digitais.

Lusa /
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"Hoje, o mundo é digital e isso não é questionável. Não podemos proibir, temos de ensinar e preparar o futuro destes jovens", afirmou Almerinda Pereira, do Colégio de Pediatria da Ordem dos Médicos, durante uma audição na Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias, no âmbito da apreciação, em especialidade, de um projeto de lei do PSD destinado a estabelecer medidas de proteção de crianças e jovens em ambientes digitais.

Para a médica, a verdadeira proteção dos jovens para o mundo digital reside na proteção através do ensino.

"Tem de haver um alinhamento estratégico entre o Estado, a família e a escola e tudo isto deve ser preparado com uma legislação mais fundamentada", advogou.

Neste sentido, propôs "uma reforma educativa" que coloque a literacia digital em paralelo com a tradicional, tornando-a "tão importante como o português ou a matemática", porque, "o futuro está aí", disse.

"Portugal deve preparar os nossos jovens para o futuro e não isolá-los da realidade que hoje temos", sustentou, ao pronunciar-se sobre medidas proibição de acesso a redes sociais ou restrições, em função de uma determinada idade, à qual se sucede um vazio.

Para a médica, é importante acrescentar à formação de alunos e professores medidas de apoio psicológico que permitam ajudar a lidar com situações de frustração e de gestão do ódio ou do tédio.

"O objetivo final, para nós, é que haja equidade, igualdade e autonomia no uso das redes sociais", sublinhou, defendo o papel da escola na eliminação de barreiras relacionadas com a formação dos pais ou a condição sócio económica.

"A escola terá de democratizar esse saber. Tem de haver formação contínua também para os pais, para os ensinar a lidar com esta tecnologia e no apoio aos jovens", declarou.

Para os professores, sugeriu um plano de ensino que os atualize e ajude a identificar sinais de `cyberbullying` e de dependência das redes sociais, que podem estar fora do contexto escolar, mas ter reflexos no rendimento escolar das crianças.

A comissão ouviu hoje várias entidades com vista à aprovação de uma lei, tendo estado presente um grupo de jovens que se manifestou genericamente a favor de restrições até aos 16 anos, mas que alertou para a situação de vulnerabilidade que se sucede ultrapassada essa faixa etária.

David, um dos jovens que integrou a comitiva da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens, reforçou esta ideia: "Estamos muito vulneráveis e muito inseguros aqui, estamos a proteger o jovem até aos 13 ou aos 16 anos e o que vem depois... temos de preparar os jovens".

Sobre os algoritmos de recomendação nas redes sociais, fora do âmbito do projeto de lei em causa, reconheceu serem "um dos maiores problemas" e deu o seu próprio exemplo.

"Quando criei o Instagram disse que era um jovem adolescente, masculino. O que é que me apareceu? Só apareceu conteúdo sexual e de violência, mais de incitação à violência", contou.

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