Ordem dos Médicos exige esclarecimentos urgentes à SPMS por nova falha informática

Ordem dos Médicos exige esclarecimentos urgentes à SPMS por nova falha informática

Em causa estão “perturbações significativas” registadas na sexta-feira nos sistemas informáticos do Serviço Nacional de Saúde. Em comunicado, a Ordem dos Médicos adianta que pediu “esclarecimentos urgentes aos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS)”. Trata-se da segunda falha grave, em menos de um mês, nos sistemas de informação do SNS, refere a Ordem.

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Foto: João Marques - RTP

“As falhas afetaram unidades de saúde de todo o país, condicionaram o acesso à informação clínica e comprometeram a realização de atos essenciais à prestação de cuidados”, refere a Ordem.

A Ordem dos Médicos quer conhecer as causas do que aconteceu, os sistemas afetados e durante quanto tempo e “que medidas foram adotadas para garantir a continuidade da atividade clínica e a segurança dos doentes”.

Nas contas da Ordem, na sexta-feira, previsivelmente, mais de 150.000 consultas e atos clínicos programados ficaram sem registo informático em tempo real. Muitas consultas não se realizaram ou foram adiadas. Uma ocorrência com impacto direto no acesso dos doentes aos cuidados de saúde, na qualidade da decisão médica e na organização do trabalho, refere a Ordem.

A Ordem dos Médicos lamenta não ter sido contactada pelos SPMS em tempo útil, que teria sido essencial para informar e apoiar os médicos, proteger os doentes e assegurar que os profissionais sabiam como atuar perante o problema em concreto.

Não deixa de ser estranho e preocupante que os SPMS não tenham contactado a Ordem dos Médicos até ao dia de hoje. Este bloqueio de informação é incompreensível”, sublinha o bastonário Carlos Cortes.

Trata-se da segunda falha grave, em menos de um mês, nos sistemas de informação do SNS, refere a Ordem.

“A 22 de maio, uma falha de segurança afetou dados administrativos e informação associada a processos clínicos de mais de 100 mil utentes em todo o país, incluindo crianças. Também nessa ocasião, a Ordem dos Médicos solicitou esclarecimentos urgentes aos SPMS, que até ao momento não respondeu”, refere o comunicado enviado às redações.

Para a Ordem dos Médicos está em causa a resiliência dos sistemas críticos do SNS, a proteção dos dados dos utentes, a confiança dos cidadãos e a segurança da decisão médica.

Quando os sistemas informáticos falham, os médicos ficam sem acesso a dados indispensáveis, como antecedentes clínicos, medicação habitual, alergias, exames, prescrições de medicamentos e de exames, referenciações e informação relevante para a continuidade dos cuidados. Isto aumenta o risco clínico e coloca os profissionais perante decisões tomadas em condições degradadas, salienta a Ordem.

A Ordem dos Médicos defende que devem existir planos de contingência claros, testados e conhecidos pelos profissionais, bem como procedimentos seguros de registo e validação posterior dos atos realizados.

Na carta dirigida aos SPMS, o Bastonário da Ordem dos Médicos solicita ainda esclarecimentos sobre os sistemas de redundância existentes e sobre o projeto do segundo polo de infraestrutura central dos SPMS, anunciado para reforçar a resiliência dos sistemas críticos do SNS.




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