Organizações condenam participação de autoridades em conferência que dizem ser "anti pai"

Organizações condenam participação de autoridades em conferência que dizem ser "anti pai"

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Lisboa, 02 nov (Lusa) -- Duas organizações portuguesas condenam o financiamento e participação de autoridades nacionais na conferência sobre alienação parental por considerarem que serão defendidas teorias "anti-homem" e "anti-pai".

Na quinta e sexta-feira realiza-se em Lisboa a "Conferência Internacional -- O Superior Interesse da Criança e o mito da "Síndrome de alienação parental", organizada pela Associação Portuguesa de Mulheres Juristas, o Instituto de Apoio à Criança (IAC), a Universidade Católica Portuguesa / Escolas de Direito -- Lisboa e Porto e a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto.

Para a organização não governamental "Denúncia de Lisboa" e para a Associação Portuguesa para a Igualdade Parental e Direito dos Filhos (APIPDF) as teses das três conferencistas estrangeiras convidadas são "mais do que pró-femininas, são anti-homem".

Em causa estarão as suas teorias sobre a alienação parental: "Uma coisa é a realidade médica, outra é a realidade socio-jurídica. Negar o fenómeno da alienação parental de que as crianças não são influenciáveis e não são manipuláveis não é aceitável", alertou o advogado da APOPDF, Rui Lima.

Defensores da liberdade de expressão, as duas associações contestam a participação da ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz - que estará representada pelo chefe de gabinete que irá ler uma mensagem da ministra -, e do Procurador-geral da República, Pinto Monteiro.

Em comunicado enviado à agência Lusa, os associados da Denúncia por Lisboa anunciaram que iriam "apresentar denúncia crime contra os responsáveis no próprio dia da conferência".

No mesmo sentido, o advogado Rui Lima disse à Lusa ter também avançado com uma providência cautelar para que "não haja apoio financeiro estatal e para que não estejam presentes figuras do Estado e ordens do estado".

"Parece-nos francamente perigoso que o senhor Procurador-Geral da República esteja presente numa conferência que não visa mais do que achincalhar o homem e a figura do pai", alertou o jurista.

"Nós defendemos a liberdade de expressão, mas o Estado não tem de ter uma ideologia destas, muito menos na administração da justiça", explicou Rui Lima, explicando que "as senhoras conferencistas têm uma ideologia que, mais do que pró-feministas, são anti-homem, lançando um clima de suspeição sobre todos os homens".

A ONG "Denúncia de Lisboa" considera que a conferência é "uma ação de propaganda ideológica" que lança "um sinal preocupante da leviandade dos organismos portugueses que zelam pelos direitos das crianças e pela igualdade de género", nomeadamente no caso do Instituto de Apoio à Criança e Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género.

Rui Lima considera que a posição das personalidades convidadas são "uma reação a uma conquista do sistema judicial. Enquanto o nosso sistema legislativo está a aperfeiçoar-se num sentido da parentalidade para que não haja um (elemento) excluído da vida dos filhos, aparecem alguns movimentos com argumentos contra corrente".

A agência Lusa tentou contactar a organização do encontro que não esteve disponível para prestar declarações.

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