Padrasto da menina diz estar convicto da inocência de Leonor

Padrasto da menina diz estar convicto da inocência de Leonor

O padrasto de Joana, Leandro David, manifestou-se hoje convicto da inocência de Leonor Cipriano, apesar de ela lhe ter dito que matou a filha "à chapada" por esta a ter visto manter relações sexuais com o irmão.

Agência LUSA /

Segundo Leandro David, a sua companheira ter-lhe-á afirmado logo após o desaparecimento da criança que "não fez nada" a Joana, mas posteriormente nas instalações da Polícia Judiciária de Faro terá mudado a sua versão dos acontecimentos.

Numa terceira fase - durante as visitas que fez a Leonor no Estabelecimento Prisional de Odemira - a mãe de Joana terá regressado à primeira versão, justificando que fora "pressionada pela Polícia Judiciária".

Questionado sobre o que pensava daquelas várias versões, Leandro corroborou que Leonor "estava muito pressionada" pela investigação policial.

O padrasto de Joana asseverou ainda que durante as deslocações à directoria da PJ em Faro, "eram os inspectores que [o] mandavam fazer as perguntas".

Em resposta a uma das questões que na altura colocou sobre o paradeiro da criança, Leonor ter-lhe-á dito que o corpo fora depositado numa "casa velha", nas imediações da aldeia da Figueira.

"Ela disse-me que o João levou o corpo às costas para uma casa velha", afirmou Leandro em tribunal, acrescentando ter ficado "sem palavras" perante tal revelação.

O próprio Leandro foi à referida "casa velha" com os investigadores, sem que nada tenha sido encontrado.

No seu depoimento, o padrasto da menina manteve a crença na inocência da companheira, pois ela foi "muito pressionada" pela Polícia Judiciária.

Leandro afirmou ainda não lhe ter visto sinais de agressão, a propósito de queixas apresentadas por Leonor sobre alegadas agressões da PJ.

Uma outra testemunha, o mecânico Carlos Silva - que chegou a ser arguido no processo e que co-habitava com Leonor -, garantiu que foi à pastelaria "Célia", propriedade de Ofélia Silva, cerca das 21:30, acompanhado por Leandro David.

Contudo, no seu depoimento, Ofélia afirmara que os dois homens tinham estado no estabelecimento "pouco tempo depois" da saída da menina, isto é, antes das 21:00.

Carlos Silva entrou, ainda no dia dos acontecimentos, na casa em que vivia com Leonor e a família, encontrando o local sem sinais de ter sido limpo ou lavado, segundo declarou em tribunal.

De acordo com a acusação, Leonor e João Cipriano terão lavado a casa para apagar vestígios de sangue, depois de terem matado a criança e esquartejado o cadáver.

O Tribunal ouviu ainda dois militares da GNR, um dos quais por vídeo-conferência, que participaram activamente nas diligências para encontrar a criança, logo após o seu desaparecimento.

Após a audição de 19 das 45 testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público, o julgamento prossegue quinta-feira às 09:30 no Tribunal de Portimão.

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