Pais mantêm protesto, mas em Lagoaça vingou a decisão da DREN
Os pais dos alunos de três escolas primárias do Norte encerradas este ano continuaram hoje a impedir os filhos de ir para os novos estabelecimentos, mas em Lagoaça, Bragança, já foi acatada a decisão governamental.
O "braço de ferro" dos pais e encarregados de educação que recusam enviar os filhos para longe de casa continua nas escolas da Gemieira (Ponte de Lima), Calvos (Vieira do Minho) e Coelhoso (Bragança).
Quem já terminou o protesto contra a transferência das crianças para uma escola na sede do concelho, que afirmam não ter condições, foram os pais das 11 crianças de Lagoaça, que decidiram levar hoje os filhos às aulas em Freixo de Espada à Cinta Uma decisão tomada na sequência de uma reunião, terça-feira, ao final do dia, com os presidentes da Câmara e de Freguesia.
"Ainda estamos à espera de uma resposta do agrupamento (de escolas do concelho), mas vamos trabalhar para que no próximo ano as coisas possam ser de outra forma", afirmou o presidente da Junta de Freguesia de Lagoaça, Armando Fresco.
O autarca está solidário com a posição dos pais e descontente por ter realizado investimentos recentes para a melhoria da escola agora encerrada.
Já em Ponte de Lima, os alunos do ensino primário da Gemieira ficaram, pelo terceiro dia consecutivo, à porta da escola da freguesia.
A Câmara de Ponte de Lima já garantiu que aquela escola é uma das 12 do concelho que não reabrirá este ano lectivo, na sequência da reorganização da rede escolar, e quer transferir os alunos da Gemieira para o Centro Escolar da Ribeira, situado a cerca de cinco quilómetros.
Mas os pais e encarregados de educação não se conformam e garantem que farão tudo o que estiver ao seu alcance para que ela continue de portas abertas.
A população de Gemieira prepara para sábado uma manifestação na sede do concelho, por ocasião das Feiras Novas, em que a realizará "um cortejo alternativo" ao das festividades, composto por meia centena de tractores.
Em Calvos, Vieira do Minho, no distrito de Braga, os pais dos 16 alunos da Escola Primária também impediram hoje, pelo terceiro dia consecutivo, os filhos de se deslocar para a nova escola em Paredes, que consideram sem condições, confirmou à Lusa fonte autárquica.
Os pais garantem que vão manter-se diariamente com os filhos à porta da escola de Calvos até que a Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) volte atrás na decisão de a encerrar.
A porta-voz dos pais e encarregados de educação, Lurdes Fernandes, disse à Lusa, que "as crianças vão comparecer na sua escola, por tempo indeterminado, até que a situação seja resolvida".
Em Bragança, os pais das 12 crianças da escola Primária encerrada em Coelhoso, que terça-feira garantiram não levar os seus filhos para a Escola da Parada (a quatro quilómetros de distância de Coelhoso), decidiram manter o protesto até ao final da semana, embora estejam hoje mais "resignados" com a decisão.
Contactado pela Lusa, o presidente da Junta de Freguesia de Coelhoso, Ernesto Fernandes, lamentou que, apesar de todas as pressões e tentativas de não encerramento, quer por parte dos pais dos alunos, quer por parte da Câmara de Bragança, a escola vá mesmo fechar.
O encerramento das escolas insere-se num reordenamento da rede escolar que visa, segundo o Ministério da Educação, fomentar um maior aproveitamento escolar, fechando estabelecimentos com poucos alunos, más condições ou altas taxas de insucesso.