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Partido continua a omitir partes fulcrais da sua história - Pacheco Pereira

Partido continua a omitir partes fulcrais da sua história - Pacheco Pereira

Porto, 29 Nov (Lusa) - O historiador José Pacheco Pereira afirmou hoje que o PCP continua a omitir factos importantes da sua história, persistindo em dar uma imagem épica e heróica do seu passado.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

"A relação com a Internacional Comunista ainda hoje é sistematicamente omitida de todas as publicações do PCP", afirmou Pacheco Pereira na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, no seminário internacional "Segredo e memória na era da informação".

Pacheco Pereira criticou a "história oficial do PCP", dando como exemplo a ausência de referências documentais (textos e fotografias) sobre o sexto congresso do partido, "o único realizado fora de Portugal", pelo facto de ter decorrido na antiga União Soviética, em Kiev.

O ex-eurodeputado do PSD recordou que foi interrogado pela PIDE (polícia política do Estado Novo) quando, em 1970, publicou o primeiro livro resultante da sua investigação sobre o movimento comunista português.

Pacheco Pereira referiu que esse livro foi também mal recebido pelo PCP, pelo facto de expor factos que punham em causa a história oficial do partido.

O investigador do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) salientou que, contudo, mesmo depois do 25 de Abril de 1974, o PCP continuou a manifestar-se crítico da sua investigação sobre o partido.

"Não se falava no PCP a não ser numa perspectiva puramente épica e heróica", frisou, recordando as reacções acaloradas dos comunistas quando, em 1980, publicou o livro "Problemas sobre a história do movimento comunista português".

Pacheco Pereira recordou que o livro começava com uma afirmação que gerou de imediato grande polémica: "As duas organizações políticas mais antigas em Portugal são a Maçonaria e o PCP".

O historiador salientou que só com a abertura dos arquivos soviéticos foi possível reconstruir com rigor algumas fases da história do PCP.

A ausência de mulheres nas reuniões do PCP, a utilização da expressão "amigo" em vez de "camarada" nas conversas entre militantes e a substituição dos nomes de personagens por expressões vagas, como "entre outros" ou "outro preso", foram também destacados por Pacheco Pereira como exemplos de segredos ocultados pelo partido.

"Tudo isto soma interditos sobre os quais ainda hoje não se fala à-vontade", salientou, acrescentando que está a encontrar alguns obstáculos idênticos na sua actual investigação, sobre os movimentos radicais de extrema-esquerda dos anos 1964 a 74.

O seminário, que termina sexta-feira, contou hoje também com uma intervenção de Patrice Flichy, professor da Universidade de Marne-la-Vallée, que destacou a "redefinição das fronteiras entre público e privado" com o surgimento de novas tecnologias de informação e comunicação.

Patrice Flichy recordou que o tradicional postal dos correios sempre teve uma vertente menos privada, dado que pode ser lido pelas pessoas que o transportam.

O reencaminhamento de e-mails, as salas de comunicação instantânea, os blogues e os sites de partilha e armazenamento de fotografias foram exemplos dados por Flichy de alguma quebra da fronteira entre público e privado que a Internet veio permitir.

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