PCP acusa Rui Rio de pagar "ordenados principescos", apesar de tentar criar "imagem de austeridade"

PCP acusa Rui Rio de pagar "ordenados principescos", apesar de tentar criar "imagem de austeridade"

Porto, 17 Out (Lusa) - O PCP denunciou hoje o "ordenado principesco" pago pela Câmara do Porto à irmã do vice-presidente da autarquia, considerando que se trata de uma "distribuição de benesses entre parceiros da coligação" que lidera o município.

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"É uma completa incoerência do presidente da Câmara do Porto, que procura criar uma imagem de austeridade, mas é fértil no pagamento a peso de ouro a pessoas de confiança", afirmou Belmiro Magalhães, responsável pela Organização da Cidade do Porto do PCP.

Em causa está a contratação de Raquel Castello-Branco, irmã do vice-presidente da autarquia, Álvaro Castello-Branco, que aufere de uma avença mensal de 3.790 euros para assegurar a gestão do Teatro Municipal Rivoli.

Para o PCP, trata-se de uma "escandalosa situação", agravada pelo facto de Raquel Castello-Branco ter como competências, segundo Belmiro Magalhães, "gerir contratos, já que se sabe que a gestão da sala de espectáculos está cedida ao abrigo de um contrato de comodato".

"Não há, entre os quadros do município do Porto, nenhum funcionário com habilitações suficientes para cumprir esta tarefa, sem que tal implique um cêntimo de custos adicionais para o erário público?", questionou o dirigente comunista.

A resposta foi dada por Rui Sá, vereador comunista no executivo municipal, para quem "não faltam na câmara do Porto quadros competentes para assumir estas funções, sem que seja necessário contratar uma engenheira alimentar".

"Foi-se buscar alguém de fora, porque é irmã do vice-presidente da câmara e era preciso arranjar um tacho", acrescentou o deputado municipal do PCP, Artur Ribeiro, considerando que "as empresas municipais, como não precisam de concurso, servem para meter lá os amigalhaços".

Para os comunistas, a situação hoje denunciada relativa a Raquel Castello-Branco não é a única na Câmara do Porto, recordando outros casos de "ordenados principescos", como os do Chefe de Gabinete do presidente da autarquia e do presidente da Comissão de Reestruturação da Empresa Águas do Porto.

A Lusa contactou a presidência da Câmara do Porto para obter um comentário, mas não foi possível obter nenhuma declaração até ao momento.

FR.


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