PCP, BE e PEV contra energia nuclear
PCP, Bloco de Esquerda e PEV criticaram o Presidente da República por querer abrir o debate do nuclear em Portugal, e defenderam que o caminho deve ser o investimento nas energias renováveis.
Em Riga, na Letónia, o Presidente da República, Cavaco Silva, afirmou que não tardará muito para a energia nuclear começar a ser abertamente debatida em Portugal.
"É difícil evitar a sua discussão, surgirá mais dia, menos dia", disse o Presidente à saída da conferência de imprensa do "Grupo de Arraiolos".
"Se não for descoberta outra fonte de energia como o hidrogénio, o nuclear terá de ser debatido em Portugal de forma mais aberta", defendeu o chefe de Estado.
Em declarações à Lusa, no Parlamento, o secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa disse que "o PCP não faz tabu" de qualquer discussão, mas frisou que é contra a utilização do nuclear e que "o caminho a percorrer deve ser a aposta nas energias alternativas".
Jerónimo de Sousa afirmou "estranhar" as "declarações precipitadas" de Cavaco Silva sobre o assunto, salientando que o Governo tem dito que o nuclear não faz parte do seu programa.
Por seu lado, a deputada do Bloco de Esquerda Alda Macedo afirmou que enquanto a ciência não descobrir uma forma de tornar o nuclear inofensivo "não vale a pena discutir o nuclear em Portugal".
"Não há nenhum avanço, nenhum progresso que resolva os problemas que o nuclear coloca. O nuclear continua hoje a produzir resíduos que duram milhares e milhares de anos. Enquanto esse problema não estiver resolvido, não vale a pena discutir o nuclear", afirmou.
Alda Macedo defendeu que o problema do défice energético em Portugal deve ser respondido com "um forte investimento em energias renováveis".
O Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) foi mais duro nas críticas ao Presidente da República, dizendo, em comunicado, que "Cavaco Silva vem atiçar os apetites no lobby nuclearista em Portugal".
"A energia nuclear não é segura, não é limpa. Basta lembrar que os resíduos radioactivos constituem um perigo para as populações e para a humanidade durante milhares de anos e que os seus custos de produção são constantemente falseados e subvalorizados", disse o PEV.