PCP quer que CM do PSD assuma compromissos sobre fábrica Robinson
O PCP/Portalegre questionou hoje a Câmara M unicipal, liderada pelo PSD, sobre a compra do património arqueológico industria l da actual fábrica corticeira Robinson, garantindo que, se não for assumida por escrito até sexta-feira, coloca em risco a empresa.
"Fomos informados que, até ao dia 31, a Câmara Municipal (CM) de Portal egre teria que honrar o compromisso assumido de compra do património da Robinson , para saldar a dívida da empresa à Segurança Social, de cerca de dois milhões d e euros. Vai a autarquia honrar os seus compromissos?", questionou a concelhia c omunista.
As dúvidas da estrutura de Portalegre do PCP sobre o futuro da fábrica corticeira foram hoje divulgadas em conferência de imprensa, ao final da tarde, naquela cidade.
Em declarações à agência Lusa, Hugo Capote, membro da concelhia, explic ou que, "para aceder a financiamentos comunitários e nacionais", a empresa Robin son necessita, até sexta-feira, de possuir uma "declaração de não dívida à Segur ança Social".
"A fábrica vai ser transferida do centro da cidade para a zona industri al e a autarquia acordou verbalmente a compra do actual património para, aí, ins talar a Fundação Robinson, da qual é sócia. O problema é que, até sexta-feira, p ara não perder financiamentos, a empresa precisa desse acordo por escrito", aler tou Hugo Capote.
O mesmo elemento do PCP adiantou que o prazo do dia 31 foi dado a conhe cer à estrutura comunista pela "administração da Robinson, durante uma reunião r ecente".
"Esta conferência de imprensa de hoje pode ser um pequeno passo para co ntribuir para desbloquear a situação e garantir a viabilidade da empresa. O praz o está quase a acabar e receamos que a CM esteja a esticar demasiado a corda", a firmou.
A concelhia do PCP lembrou também que a corticeira Robinson é uma das m aiores empregadoras, com 170 postos de trabalho, e das mais emblemáticas do conc elho, com "cerca de dois séculos de existência" e tradição no fabrico de rolhas de cortiça.
"É um importante pilar do tecido produtivo e industrial de Portalegre e , se ficar impedida de recorrer a financiamentos por causa da dívida à Segurança Social, corre o risco de não ter condições para continuar a laborar", frisou Hu go Capote.
Instado sobre as dúvidas da estrutura comunista, o autarca Mata Cáceres garantiu que a CM tem estado a "fazer tudo para garantir a viabilidade da fábri ca" e disse recusar-se a "brincar com coisas sérias". "Não é fácil comentar coisas avulsas e desgarradas e considero que tudo isso [as críticas e dúvidas do PCP] é um conjunto de desinformação destorcida d a realidade e sem fundamento", frisou.
O presidente da autarquia esclareceu ainda que têm sido desenvolvidos c ontactos com o Instituto de Gestão Financeira (IGF) da Segurança Social relativa mente à empresa e que, quarta-feira, vai decorrer uma reunião, em Portalegre, so bre esse assunto.
"Nesse dia, vem cá uma equipa do IGF para tratar desse tipo de questões relacionadas com a Robinson e com a verba cujo pagamento está pendente. Estamos a fazer tudo ao nosso alcance para viabilizar a unidade, mas não é com atitudes destas que lá conseguimos chegar", argumentou.