Pigmentação nas partes genitais de Cruz domina sessão de julgamento do processo Casa Pia

Pigmentação nas partes genitais de Cruz domina sessão de julgamento do processo Casa Pia

O perito médico que examinou os genitais de Carlos Cruz, durante as investigações do caso Casa Pia, admitiu hoje que a pigmentação detectada nos genitais do apresentador de televisão não poderia atingir o tamanho indicado por uma testemunha.

Agência LUSA / Adicionar como fonte informativa

De acordo com relatos da sessão, que voltou a decorrer à porta fechada, o perito do INML que hoje testemunhou em tribunal considerou que os sinais de pigmentação no pénis do apresentador só poderiam aumentar 10 a 20 por cento com uma erecção.

Uma fonte presente na 227/a sessão de julgamento, em que foi ouvido o perito do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML) Frederico Pedrosa, referiu que tal cálculo é importante para a defesa de Cruz, já que um dos jovens que acusa o apresentador terá dito que a mancha tinha o tamanho de uma moeda de um cêntimo.

Segundo a mesma fonte, os três milímetros da pigmentação detectada nos genitais do apresentador nunca poderiam atingir o tamanho indicado pela testemunha.

Durante a sua audição no Tribunal de Santa Clara, Lisboa, o perito lembrou que Carlos Cruz recusou-se a despir-se integralmente para ser examinado, alegando que o despacho do Ministério Público só referia a zona genital, tendo o procurador que dirigiu o inquérito, João Guerra, presente no exame, dado razão ao arguido.

Na altura do exame, Carlos Cruz recusou-se também a deixar que fossem tiradas fotografias às suas partes genitais.

Durante a sessão de hoje, José Maria Martins, advogado do principal arguido Carlos Silvino da Silva ("Bibi"), questionou o perito sobre se as manchas detectadas nos genitais de Cruz não podiam aumentar para o dobro do tamanho durante a erecção, ao que o perito terá indicado como limite um aumento de 10 a 20 por cento.

Segundo fontes ligadas ao processo, o perito terá reconhecido que se tratam de manchas de pigmentação que têm pouco volume, pelo que só podem aumentar nas proporções indicadas (10 a 20 por cento).

Entretanto, José Maria Martins indicou à juíza presidente, Ana Pares, que quando terminar a audição dos peritos, as primeiras testemunhas que pretende ouvir são o jornalista "free lancer" Jorge Van Krieken (colaborador do jornal "24 Horas), o ex-inspector da Polícia Judiciária Moita Flores (autor de vários artigos de opinião sobre o processo) e o agente da Polícia Judiciária Jorge Cleto que investigou os abusos sexuais de 1982.

O defensor de "Bibi" pretende também arrolar como testemunha o actual bastonário da Ordem dos Advogados, para que explique a intervenção da Ordem no processo Casa Pia a "favor dos poderosos" e em violação da lei.

No decurso desta semana, o tribunal ouviu o director do Instituto Nacional de Medicina Legal de Lisboa, Jorge Costa Santos, acerca dos exames físicos e avaliação psicológica feita aos jovens sexualmente abusados e que são testemunhas neste processo.

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