Pires de Lima lamenta que militantes prefiram "unanimismo" e ausência de Nobre Guedes
Lisboa, 17 Dez (Lusa) -- O presidente do Conselho Nacional do CDS-PP, Pires de Lima, defendeu hoje o "confronto aberto de ideias" e lamentou que os militantes prefiram "o unanimismo" ao inviabilizarem a participação de Luís Nobre Guedes no XXIII Congresso.
"Respeito a decisão dos militantes de Lisboa e não culpo ninguém mas isso empobrece o próprio debate. Os militantes do CDS continuam a sentir-se mais confortáveis com o unanimismo e favorecem pouco a pluralidade e o confronto aberto de ideias", afirmou António Pires de Lima, em declarações à Agência Lusa.
Luís Nobre Guedes, ex-número dois de Paulo Portas na liderança do CDS-PP, falhou por dois votos a eleição para delegado ao XXIII Congresso partidário, no qual pretendia defender uma orientação política diferente da do actual líder.
Nobre Guedes já afastou a possibilidade de ir ao Congresso, frisando que só aceitaria participar na qualidade de delegado eleito.
António Pires de Lima, que mantém divergências políticas públicas com Nobre Guedes, considerou que a ausência do ex-ministro do Ambiente "vai limitar o âmbito do próprio Congresso".
O presidente do Conselho Nacional do CDS-PP comparou a não eleição de Nobre Guedes com a falta de adesão dos militantes à "Ala Liberal", uma tendência que não conseguiu concretizar por falta de subscritores.
"Os militantes do partido em diferentes circunstâncias - eu já o senti quando não tive adesões suficientes para a ala Liberal - tendem a preferir o unanimismo relativamente ao presidente do partido do que favorecer o debate de ideias que deve acontecer precisamente nos conselhos nacionais e nos congressos", disse.
Pires de Lima disse que fará no Congresso de Janeiro, nas Caldas da Rainha, "uma reflexão" sobre "a necessidade de o CDS aprender a respeitar e a valorizar a pluralidade", condição para "ser um partido atractivo e atingir um outro patamar de eleitoral".
O presidente do Conselho Nacional democrata-cristão criticou ainda a decisão do deputado José Paulo Carvalho de se manter no Parlamento apesar de se ter desfiliado do CDS-PP em divergência com a direcção.
"Desconfio sempre daquelas pessoas que passam o tempo com discursos fundamentalistas e de suposta superioridade moral porque depois são as primeiras a falhar", criticou, frisando que "não é uma questão de legalidade, é de princípio" uma vez que foi José Paulo Carvalho que decidiu sair.