País
PJ investiga acesso indevido a dados clínicos de centenas de crianças
Está a ser investigado pela Polícia Judiciária o acesso indevido aos dados clínicos de centenas de crianças através do portal do SNS. Um pirata informático terá acedido às credenciais de um médico e conseguiu assim acesso aos processos de centenas de crianças. Foi aberto inquérito esta quinta-feira.
(em atualização)
A Ordem dos Médicos recebeu dezenas de queixas relativas a esta alegada consulta indevida de processos clínicos de crianças por parte de um médico da ULS Alto Minho.
“O compromisso das credenciais do médico terá resultado no acesso indevido a registos administrativos, não clínicos, de diversos utentes, entre os quais crianças”, refere o comunicado.
A Unidade Local de Saúde do Alto Minho esclarece, ainda, que informou as entidades competentes para a apreciação da ocorrência de possíveis atos ilícitos.
Contactado pela RTP, os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde diz que “não comenta casos concretos relacionados com matérias de segurança ou cibersegurança”.
“Assegura, porém, que todas as comunicações de possíveis incidentes de cibersegurança são analisadas e que está em permanente articulação com as autoridades competentes. Sempre que há indícios de factos ilícitos, estes seguem os trâmites instituídos”, adianta a entidade, em resposta à RTP.
O Portal da Queixa já recebeu várias denúncias neste sentido.“Assegura, porém, que todas as comunicações de possíveis incidentes de cibersegurança são analisadas e que está em permanente articulação com as autoridades competentes. Sempre que há indícios de factos ilícitos, estes seguem os trâmites instituídos”, adianta a entidade, em resposta à RTP.
Ordem dos Médicos desencadeou procedimentos internos
O bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, afirmou que a Ordem recebeu na quinta-feira à noite "um aviso" sobre esta situação, tendo desenvolvido procedimentos internos para tentar averiguar se se tratava de "um ato de má conduta deontológica".
Revelou que esta manhã a Ordem dos Médicos enviou ofícios ao Ministério Público, aos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde e à ULS do Alto Minho, onde o médico exerce.
"Eu próprio contactei todas estas entidades diretamente, também estou a tentar perceber - dada a dimensão da situação e as dezenas de queixas que a Ordem dos Médicos já recebeu hoje de manhã - e tanto quanto é possível perceber, até ao momento, (...) parece que estamos perante uma situação de cibersegurança, de falha em termos de segurança informática", salientou.
Carlos Cortes sublinhou que esta suspeita "ainda tem que ser apurada pelas entidades competentes, que não é a Ordem dos Médicos".
De acordo com esses relatos, alguns pais terão recebido alertas sobre acessos aos processos dos seus filhos, sobretudo crianças pequenas, o que terá levado a contactos com centros de saúde e, em alguns casos, à apresentação de queixas junto das autoridades de saúde e da polícia.
Nas redes sociais, vários utentes relataram alegados acessos indevidos a processos clínicos de crianças através do SNS 24, com notificações a indicar consultas aos registos médicos em diferentes locais.
c/Lusa