População residente em Portugal atinge 11,4 milhões. 14% são estrangeiros

População residente em Portugal atinge 11,4 milhões. 14% são estrangeiros

Entre 2021 e 2025, os residentes estrangeiros em Portugal mais do que duplicaram, correspondendo a um aumento de 849.384 pessoas.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Pedro A. Pina - RTP

De acordo com as estimativas de população residente de 2025, apresentadas esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e que incluem revisões dos números referentes ao período entre 2021 e 2024, a 31 de dezembro de 2025, a população residente em Portugal foi estimada em 11.424.031 pessoas, mais do que os valores apresentados no ano passado, referente a 2024, que também foram atualizados para 11.387.222.

Este aumento populacional deve-se à contabilização de pessoas estrangeiras a residir em Portugal. Segundo o INE, a população residente de nacionalidade estrangeira, em 31 de dezembro de 2025, foi estimada em 1,6 milhões, representando 14% do total da população residente. Em 2024, em vez dos 1,6 milhões de estrangeiros, o INE havia contabilizado apenas 177.557 pessoas.

De acordo com o INE, os dados anteriormente divulgados foram atualizados, concluindo que, "entre 2021 e 2025, a população residente aumentou 824.914 pessoas, destacando-se os anos de 2022, 2023 e 2024, nos quais se verificaram fluxos migratórios excecionalmente elevados, traduzindo-se em acréscimos populacionais", respetivamente, de 330 mil, 275 mil e 183 mil pessoas.

Os últimos dados da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), em outubro do ano passado, indicavam que, no final de dezembro de 2024 estavam registados 1.543.697 cidadãos estrangeiros a residir em território nacional, abaixo de estimativas feitas em abril.

A Grande Lisboa e a região Norte concentravam mais de metade da população estrangeira residente (53,7%) em 2025. Entre 2021 e 2025, os residentes estrangeiros mais do que duplicaram, correspondendo a um aumento de 849 384 pessoas (mais 6,9 pontos percentuais).

O INE explica que o acréscimo populacional de 2025 resultou do saldo migratório positivo (70.862), que compensou o saldo natural negativo (-34.053). “Em 2025 registou-se, assim, uma taxa de crescimento migratório positiva, de 0,62%, e uma taxa de crescimento natural negativa, de -0,30%”, lê-se no relatório.

O Norte é a região NUTS II onde reside o maior número de pessoas, concentrando 33,2% do total da população, seguida pela Grande Lisboa e pelo Centro, onde residem, respetivamente, 21,1% e 15,5% da população total.

O acréscimo populacional entre 2021 e 2025 refletiu-se em todas as regiões NUTS II, tendo sido particularmente expressivo, em termos relativos, no Algarve (13,8%), na Península de Setúbal (12,8%), na Grande Lisboa (10,6%) e no Oeste e Vale do Tejo (9,7%).
Envelhecimento demográfico continuou a acentuar-se
Por outro lago, a tendência de envelhecimento demográfico manteve-se em 2025 e continua a acentuar-se, ainda que atenuado pelo reforço relativo da população em idade ativa.

De acordo com o INE, em 2025, o índice de envelhecimento atingiu o valor de quase o dobro de idosos do que jovens "19 idosos por cada 10 jovens", quando em 2021 os valores eram de 18 por 10.  
Entre 2021 e 2025, a proporção de jovens diminuiu de 13% para 12,4% da população total, o que se refletiu no estreitamento observado na base da pirâmide etária.

Por sua vez, a percentagem de pessoas em idade ativa aumentou de 63,7% para 64,3%, impulsionada pelos fluxos migratórios recentes que tendem a concentrar-se nesta idade.

Já a idade mediana da população residente em Portugal passou para 45,8 anos, quando em 2021, data dos últimos censos, era de 46,1, indicando ligeiro rejuvenescimento.  Estimativas populacionais deixam de ter censos como base
O INE anunciou que vai rever todos os indicadores `per capita`, como o Produto Interno Bruto, emprego ou questões relacionadas com a justiça, educação ou saúde, devido ao aumento da população.

"A revisão das estimativas anuais de população residente para os anos de 2021 a 2024 tem impacto em diversas operações estatísticas do INE, nomeadamente na calibração (extrapolação) dos resultados de inquéritos por amostragem, com destaque para o inquérito ao Emprego", com impacto nos "resultados das Contas Nacionais", que "terão de ser reavaliados", refere o INE, que apresentou um calendário de apresentação de novos dados numa nota metodológica complementar à divulgação dos resultados dos residentes no país.

O Instituto anunciou ainda que as estimativas anuais da população vão passar a ser feitas com base em dados administrativos cruzados e não a partir dos censos, salientando a "mudança estrutural nas fontes" do sistema.


Um dos objetivos desta medida é preparar Portugal para novas exigências estatísticas europeias, incluindo um maior detalhe geográfico dos dados em grelhas de um quilómetro quadrado.

A justificação para este novo método implicar revisões dos dados desde 2021 está relacionada, segundo o INE, com a "necessidade de incorporar informação" da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), referente a "processos de regularização em curso, manifestações de interesse (atendimentos), autorizações de residência CPLP (atendimentos) e renovações (atendimentos)".

c/Lusa
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