Populares de Paramos querem aviões mais para sul

Populares de Paramos querem aviões mais para sul

A colisão entre um carro e uma avioneta no Aeródromo de Paramos, Espinho, fez ressuscitar na povoação lutas antigas pelo direito de passagem no local e os moradores defendem que a pista seja alargada para sul.

Agência LUSA /

Bernardino Antão, de 72 anos e um dos moradores mais antigos da Praia de Paramos, é a voz da preocupação dos moradores, que temem que este acidente possa condicionar ainda mais o acesso de pessoas e viaturas.

"Eles que façam o aeródromo mais para sul, que têm muita largueza de terreno até à Barrinha (de Paramos/Esmoriz) e que nos deixem a rua livre", disse à Agência Lusa.

Bernardino Antão lembra que já houve, pelo menos, cinco acidentes com avionetas do aeroclube, três com carros e um com uma bicicleta, e diz que "o povo não pode andar descansado" por causa dos aviões.

A estrada onde se deu o acidente, que provocou um morto e um ferido grave, é a antiga via de ligação entre o bairro piscatório e o núcleo urbano de Paramos, que ficou integrada na pista de aviação, construída para fins militares na altura da II Guerra Mundial.

A pista, que não está vedada, tem cerca de 1.500 metros de cumprimento no total, mas só 490 metros para o lado sul são utilizados.

A proximidade da pista está assinalada de ambos os lados da via rodoviária por sinais de obrigatoriedade de seguir em frente, de proibição de virar à direita e à esquerda e, junto à pista, de Stop.

A poucos metros existe ainda um painel de cada lado com os dizeres: "Aeródromo. Pare, escute e olhe. Atenção aos aviões, cuidado! Atravesse a pista rapidamente. Proibido circular na pista".

"Não estamos contra o aeroclube mas queremos que funcione com condições, dentro do que é legal", afirma Bernardino Antão, que diz não ter memória de acidentes graves nos tempos em que a pista era de utilização militar.

Mesmo assim, recorda, a chegada das estruturas militares a Paramos veio impor mudanças de hábitos ao pequeno bairro piscatório, que viu o caminho para as casas e para a praia ser "invadido" pelo quartel (actual Regimento de Engenharia de Espinho) e pela pista de aviação.

"No início passávamos mesmo por dentro do quartel, mas depois começaram a sismar que não nos deixavam passar a partir de certa hora", recorda.

A diferença entre os interesses dos pescadores e as exigências de segurança da instituição militar acabou por ser resolvida, sendo a estrada desviada para contornar o quartel, o que obrigou a curvas e contra-curvas que ainda hoje se mantêm, mas já o mesmo não foi feito em relação à pista de aviação, cujo contorno obrigaria a um percurso bem maior para chegar ao bairro piscatório.

Essa solução, o desvio da estrada para norte, não é a que mais agrada à população da Praia, segundo Bernardino Antão, que afirma ter participado há um ano numa reunião com a direcção do aeroclube e a Junta de Freguesia, em que foi avançada a possibilidade de vedar a pista, mas deixar a estrada livre.

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