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Estudo coordenado pela OCDE. Portugal abaixo da média em várias áreas da Saúde
Um estudo coordenado pela OCDE e agora divulgado mostra que Portugal tem valores inferiores à média internacional em quase todos os indicadores de resultados em Saúde e as diferenças são mais acentuadas nos grupos mais vulneráveis.
O Patient Reported Indicators Surveys (PaRIS), o maior inquérito internacional aplicado a utilizadores de serviços de saúde, revela que Portugal tem valores inferiores à média internacional em quase todos os indicadores de resultados em saúde e as diferenças são mais acentuadas nos grupos mais vulneráveis.
O número de utentes sem médico de família, o tipo de cuidados prestados nos Centros de Saúde e os problemas de coordenação entre estas entidades e os Hospitais são as principais queixas dos inquiridos no estudo feito a nível europeu.Nos idosos, mulheres e pessoas com baixa escolaridade ou em privação económica, as diferenças nacionais são mais acentuadas face aos restantes países incluídos no PaRIS, coordenado pela OCDE e, em Portugal, pela Direção-Geral da Saúde (DGS). O PaRIS contou com a participação de 19 países. Em Portugal, ouviu 11.744 utentes (com 45 anos ou mais) e 80 unidades de CSP.
Os dados mostram "disparidades importantes" em função do género, idade, escolaridade e rendimento, sendo que as mulheres, pessoas com 75 ou mais anos, com escolaridade até ao 9.º ano e aquelas em situação de privação económica reportam piores resultados em saúde e experiências no contacto com o sistema. Jornal da Tarde | 16 de abril de 2026
"Esta realidade requer políticas de inclusão, capacitação profissional e respostas diferenciadas e adaptadas para pessoas em maior vulnerabilidade", referem os autores do estudo.
Doentes crónicos fazem avaliação negativa
O estudo mostra que mais de metade dos doentes crónicos em Portugal, acima dos 45 anos, avalia de forma negativa a experiência que tem nos centros de saúde ao nível da coordenação.
Dizem-se insatisfeitos com a coordenação que existe - ou da falta dela - entre cuidados de saúde primários e hospitais e vice-versa.
O único indicador que coloca Portugal acima da média da OCDE é a capacidade dos doentes gerirem sozinhos algumas doenças. Quase dois terços (61%) das pessoas com doenças crónicas em Portugal sentem-se confiantes em gerir a sua própria saúde, um valor ligeiramente superior à média da OCDE (59%). No entanto, este valor é 31 pontos percentuais inferior ao do país com melhor desempenho (92%).
De acordo com o PaRIS, mais de 80% dos utentes dos cuidados de saúde primários com 45 anos ou mais tem pelo menos uma doença crónica e mais de metade tem várias.As doenças crónicas mais reportadas pelos utentes que participaram no estudo são hipertensão arterial (42%), seguida de artrose ou dores persistentes nas costas ou articulações (32%).
Os dados indicam ainda que os problemas de saúde mental, como depressão, ansiedade ou outros, são a terceira situação crónica mais reportada (22%).
Mais de 10% dos utentes também reportam diabetes (tipo 1 ou 2), problemas cardiovasculares ou cardíacos e problemas respiratórios, como asma ou Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC).
O estudo pede, por isso, uma "transformação estrutural" nos cuidados de saúde primários para melhorar a coordenação com os hospitais, sobretudo nos doentes crónicos, e sublinha a importância dos planos individuais de cuidados, que define os objetivos de saúde de cada utente e é uma realidade para apenas três em cada dez doentes crónicos.
No geral, o PaRIS aponta três eixos estratégicos de mudança: a transformação digital, para garantir a modernização dos canais de comunicação; a personalização da resposta assistencial, atribuindo um gestor de cuidados a cada utente e reforçando o apoio à autogestão da doença; e o reforço da confiança no sistema, o que exige a medição da experiência dos utentes e um "investimento consistente" na prevenção e na literacia em saúde.
c/ Lusa