Portugal com ACNUR lança guião para responder a discurso de ódio contra refugiados
Um manual que ensina a responder a discurso de ódio `online` é a nova proposta da Fundação Portugal com a ACNUR (agência da ONU para os refugiados) para ajudar a desmistificar mitos sobre refugiados no espaço público português.
"Não fiques em silêncio: Cinco formas de responder com firmeza a comentários que excluem" é o nome do guião contra o discurso de ódio, que o dirigente da ONG portuguesa Francisco Machado considera ser "mais uma arma" para combater a desinformação sobre o tema.
"Temos percebido, ao longo do tempo, que existem muitas dúvidas sobre refugiados e sobre a diferença entre migrantes e refugiados", procurando também dar argumentos e "algumas formas de saber responder" a quem faz essa confusão, de modo propositado ou não, afirmou hoje à Lusa.
O "tema dos refugiados em Portugal não é um tema super falado e nós estamos a tentar mostrar mais o que é que é, quem é que são estas pessoas, o que é que elas fazem ou porque é que elas fogem", explicou Francisco Machado.
Para o responsável de marketing digital da ONG, este guião visa responder à "falta de informação" sobre o tema.
"Num mundo cada vez mais polarizado, olhar para o lado não é uma opção. Mas responder não significa procurar o conflito. Significa saber argumentar", pode ler-se no guião disponível na página da fundação.
O guião inclui alguns dos argumentos utilizados em discurso de ódio ou desinformação sobre o tema como "se estivessem realmente a fugir de uma guerra, ficariam no país vizinho" ou "fingem ser refugiados" e as formas mais adequadas para responder.
Além disso, o guião inclui recomendações práticas sobre como lidar com discurso de ódio, aconselhando a "desmontar mitos com factos", ouvir antes de responder, evocar casos de sucesso de refugiados, mas também identificar os comentários mais agressivos.
"As palavras importam. Normalizar estereótipos ou mensagens que dividem têm consequências reais. Se ouvires algo injusto, procura uma forma construtiva de intervir", pode ler-se no guião.