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Portugueses estudam método para identificar risco de défice cognitivo após AVC

Portugueses estudam método para identificar risco de défice cognitivo após AVC

Um grupo de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) está a desenvolver um método não invasivo para identificar doentes em maior risco de défice cognitivo após Acidente Vascular Cerebral (AVC), foi hoje divulgado.

Lusa /
Foto: Ali Hajiluyi - Unsplash

O objetivo é o de que os sobreviventes beneficiem de tratamentos mais protetores para reduzir risco de sofrerem mais sequelas cerebrais no futuro, lê-se num comunicado enviado à agência Lusa nas vésperas do Dia Nacional do Doente com AVC, que se assinala na terça-feira.

Através de um estudo que envolveu mais de 300 sobreviventes de AVC admitidos no Hospital de São João, no Porto, o grupo de investigadores concluiu que os doentes nos quais se deteta a passagem de micro-êmbolos (partículas que podem bloquear pequenos vasos sanguíneos) para o cérebro têm um risco duas vezes maior de sofrer défices cognitivos a longo prazo.

A descoberta foi publicada na revista científica Stroke em setembro de 2025.

"Concluímos que os défices cognitivos podem não ser determinados apenas pela lesão cerebral ocorrida no AVC ou por problemas degenerativos, mas pela continuidade do microembolismo cerebral capaz de causar danos cerebrais adicionais, apesar de subtis", afirmou o professor da FMUP e investigador principal do estudo, Pedro Castro, citado num resumo enviado à Lusa.

Por défices cognitivos entenda-se, por exemplo, discurso e pensamento mais lentos, problemas de memória e desorientação.

Para chegar a estas conclusões foram analisados 316 doentes com AVC com idade média de 67 anos, dos quais 68% eram do sexo masculino.

Os doentes foram submetidos a um exame específico de monitorização com doppler transcraniano para pesquisa de sinais microembólicos cerebrais durante as primeiras 72 horas após o evento.

"Além de apontar um mecanismo fisiopatológico de declínio cognitivo em sobreviventes de AVC, esta investigação demonstra o enorme potencial de ferramentas simples com base em ultrassons no auxílio da atividade clínica", lê-se nas conclusões.

A monitorização com o doppler transcraniano permite detetar micro-êmbolos em circulação em tempo real, funcionando como "o radar de um submarino", e o "médico neurossonologista torna-se um detetive de ouvido apurado para deteção dos sons característicos destas partículas circulantes sobre o normal barulho do fluxo sanguíneo".

Destacando que esta foi a primeira vez que a neurossonologia foi utilizada para identificar estes sinais com o objetivo de prever défices cognitivos em doentes internados na fase aguda do AVC, a equipa de investigadores realçou que em causa está um exame não invasivo, fácil, portátil, porque pode ser feito à cabeceira do doente, pouco dispendioso e considerado seguro (sem radiação).

A equipa de investigação defendeu, assim, que "esta técnica pode ser realizada, no futuro, de forma mais generalizada, para rastreio e identificação dos doentes de alto risco e com pior prognóstico, que possam beneficiar de intervenções terapêuticas mais assertivas".

À Lusa, a FMUP apontou que o próximo passo será desenhar um novo ensaio clínico com o objetivo de comprovar que tratar mais agressivamente os doentes com AVC e sinais microembólicos reduz, de facto, o declínio cognitivo a longo prazo.

Este estudo foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

A linha de investigação cerebrovascular, com recurso a ultrassonografia, foi criada por Elsa Azevedo, professora da FMUP, neurologista e líder de investigação na área das Neurociências do RISE-Health.

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