País
Portugueses reciclam menos. Vidro e embalagens para alimentos líquidos preocupam
A Sociedade Ponto Verde lança um alerta para "resultados aquém do necessário para levar o País ao cumprimento das metas de reciclagem".
Nos primeiros três meses do ano, "as embalagens enviadas para reciclagem registaram uma quebra de -1 por cento", em comparação com o mesmo período do ano anterior, revelou esta quarta-feira a Sociedade Ponto Verde.
Para a estrutura, os resultados comprovam que "o atual modelo não é eficaz" e que o investimento feito no setor "não está a traduzir-se em melhor desempenho".
Em comunicado, a entidade responsável pelo encaminhamento para reciclagem e valorização dos resíduos de embalagens resultantes do grande consumo, afirma que é urgente que o país aumente de forma significativa as quantidades enviadas para reciclagem para cumprir a meta que está em vigor: 65 por cento de reciclagem de embalagens colocadas no mercado.O ano passado, Portugal ficou aquém do objetivo exigido a nível europeu, registou uma de taxa de 60,2 por cento e entrou em incumprimento das metas europeias de reciclagem.
"Continuam a registar-se resultados aquém do necessário para levar o país ao cumprimento das metas de reciclagem de embalagens e, no momento em que existe um reforço tão significativo em termos de investimento no setor, devemos ser mais exigentes para que a mudança efetiva aconteça", afirma Ana Trigo Morais, da Sociedade Ponto Verde, citada no mesmo comunicado.
Os dados agora divulgados mostram que o vidro e as embalagens de cartão para alimentos líquidos (ECAL) "continuam a destacar-se como os materiais que mais preocupações levantam".
A reciclagem de vidro teve um decréscimo de -1 por cento face ao período homólogo. Já a ECAL apresentou um decréscimo de -2 por cento. Também as embalagens de plástico registaram uma quebra na separação para recolha seletiva através dos ecopontos com -8%.
Perante este cenário, a Sociedade Ponto Verde defende que o sistema deve ser modernizado com a incorporação de mais tecnologia em todo o processo e a "implementação de soluções de proximidade que sirvam melhor os cidadãos e sejam adequadas às especificidades dos territórios".
Ao reciclar mais e melhor, evita-se também a deposição destes resíduos em aterros, que "estão a chegar ao limite da sua capacidade", adverte ainda o comunicado.