Preços altos levam Metro do Porto a anular concurso para veículos suburbanos
O presidente executivo do Metro do Porto, Oliveira Marques, afirmou hoje que o concurso para fornecimento dos veículos para as linhas da Póvoa e Trofa foi anulado porque os preços propostos eram 40 por cento superiores às expectativas.
Oliveira Marques desdramatizou a situação afirmando que "a possibilidade de não adjudicação está prevista em todos os concursos públicos e neste também, pelo que é uma situação que não é anormal".
"Quando todos os concorrentes apresentam propostas demasiado elevadas face às expectativas iniciais há razão suficiente para anular o concurso e efectuar nova consulta ao mercado", disse.
Oliveira Marques referiu que a consulta será feita através de novo concurso, a lançar "muito rapidamente", com o mesmo objecto, ou seja, o fornecimento de 10 veículos suburbanos para as linhas da Póvoa e da Trofa.
Admitiu ainda que a decisão atrasará a entrada em operação dos veículos suburbanos em, pelo menos, seis meses, o tempo mínimo para a realização do concurso e sem qualquer contestação ou reclamação.
No entanto, Oliveira Marques garantiu que não haverá alteração na entrada em funcionamento de qualquer das duas linhas (Póvoa e Trofa), uma vez que o serviço será efectuado com os veículos normais do Metro do Porto.
Já estava previsto que os veículos normais assegurariam o serviço naquelas duas linhas durante os primeiros dez meses de operação, até à chegada dos "tram-train".
Os veículos suburbanos (tipo "tram-train") do Metro do Porto distinguem-se dos normais porque são mais rápidos e têm mais lugares sentados, em virtude de a duração da viagem suburbana ser bastante superior à do circuito urbano.
Oliveira Marques, que falava na habitual reunião mensal com os jornalistas para dar conta da evolução da construção da rede do Metro do Porto, disse que no segundo concurso apenas serão modificadas algumas cláusulas, de forma a permitir o acesso a um maior número de candidatos, aumentando assim a concorrência.
Segundo acrescentou, está a ser estudada a forma de introduzir um preço de referência no regulamento, que a empresa estima em cinco milhões de euros.
A proposta da Bombardier, empresa vencedora do concurso anulado, era superior em 40% à expectativa inicial, tendo a Siemens ficado em segundo lugar.
Oliveira Marques referiu que as maiores dificuldades que enfrenta o projecto prendem-se com as expropriações indispensáveis ao alargamento do canal da Linha da Póvoa e a construção da estação de Faria Guimarães, na Linha Amarela, que atravessa o Porto e Gaia em sentido Norte/Sul desde o Hospital de São João até Santo Ovídio.
"Na linha da Póvoa são centenas de parcelas a expropriar e um atraso numa só delas pode comprometer os prazos todo o projecto", disse.
Quanto à estação de Faria Guimarães, as dificuldades devem-se ao facto de se situar debaixo de uma zona de intensa ocupação residencial e comercial, o que dificulta muito a movimentação das máquinas e os horários de laboração.