Presidente da Câmara de Leiria espera mais recursos para centro hospitalar
O presidente do município de Leiria, Raul Castro, lamentou hoje a demissão do presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Leiria (CHL), esperando que a tutela disponibilize mais recursos.
Raul Castro (PS), que esta tarde se reúne com a ministra da Saúde, Marta Temido, numa reunião agendada há algum tempo, considerou que a saída de Helder Roque da presidência do CHL é "uma situação que preocupa".
Lamentando a saída do responsável, Raul Castro espera que "possa haver uma decisão que ajude a mitigar as situações que vêm acontecendo e têm sido descritas por vários utentes do CHL".
"O CHL passou a ter mais utentes de outros concelhos e não nos foram dados os recursos humanos necessários. Vou ter uma reunião hoje com a ministra da Saúde e vamos querer saber as decisões que estão a pensar tomar e se vão fazer o que é preciso ser feito", sublinhou o autarca.
Para o presidente da Câmara de Leiria, Helder Roque "continua a ser um bom líder", mas "só se pode ser bom líder" se houver "os meios e os recursos para dar a resposta às necessidades dos doentes".
"Não houve autonomia financeira - se calhar é o momento de a darem aos hospitais - para reforçar o Centro Hospitalar de Leiria com mais médicos, mais enfermeiros e mais técnicos. Dificilmente é possível fazer um bom trabalho sem recursos. Durante estes anos em que [Helder Roque] esteve à frente do CHL a qualidade do serviço do CHL aumentou", destacou ainda Raul Castro.
Helder Roque comunicou hoje aos seus colaboradores que apresentou a sua demissão à ministra da Saúde, no dia 28 de fevereiro, em "protesto" pela falta de recursos.
Na missiva, a que a Lusa teve acesso, o presidente cessante salienta que a saída do CHL, "enquanto protesto, é o melhor contributo" que pode prestar à "continuação do sonho": "reforçar a dimensão do CHL como instituição de referência regional, sustentando-o em meios humanos e equipamento".
Helder Roque recorda que se bateu "incessantemente pela obtenção de mais meios" para o CHL.
"Os que lhe são indispensáveis a, pelo menos, sustentar-se equilibradamente na sua atual dimensão e continuar a sonhar com a melhoria da prestação de cuidados de saúde à população. Por duas vezes, ao longo deste percurso, solicitei a minha saída. Por duas vezes me deram expectativas quanto à resolução de diversos dos problemas do CHL. Por duas vezes recuei expectante", acrescenta.
Helder Roque destaca que a tutela "não foi parca em elogios ao trabalho" realizado, mas "foi parca em meios", sobretudo depois da entrada do concelho de Ourém, no distrito de Santarém, na área de influência do CHL.
"Não há condições para colmatar as necessidades mínimas em pessoal, não há meios para investimento. As medidas de contenção acabam por só permitir a libertação de meios para que os mais gastadores paguem as suas dívidas", sublinha.