Presos de Guantánamo chegaram a Portugal
Dois ex-prisioneiros de Guantánamo chegaram ontem a Portugal. O Ministério da Administração Interna revelou que os dois sírios estão agora em liberdade, a viver em residências cedidas pelo Estado. Os dois prisioneiros estavam detidos desde 2002 sem acusação formada.
No entanto, em comunicado o Ministério da Administração Interna refere que "os recém-chegados foram restituídos à liberdade, são pessoas livres, e, se quiserem partir para outro Estado da União Europeia, apenas carecem de vistos adicionais".
"Tais cidadãos, que manifestem interesse em ser acolhidos por Portugal, não são objecto de qualquer acusação, são pessoas livres e estão a viver em residências cedidas pelo Estado, que está a desenvolver as diligências tendentes à sua integração na sociedade portuguesa", acrescenta o comunicado.
Para o Ministério da Administração Interna, "a decisão sobre o regime aplicável à entrada em Portugal dos dois sírios obedeceu ao disposto nas normas que prevêem a concessão, por razões humanitárias reconhecidas de um visto especial que permite a entrada e permanência em território nacional de cidadãos estrangeiros", lê-se no comunicado.
"A decisão de acolhimento teve por base informações colhidas junto das autoridades norte-americanas e foi precedida de reuniões entre um elemento do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e os representantes legais dos ex-detidos e da avaliação da capacidade de integração", acrescenta a nota.
A identidade dos dois sírios não foi revelada, nem por Lisboa nem por Washington, mas o comunicado do MAI sublinha que "por razões de segurança e preservação da privacidade desses cidadãos não serão fornecidas informações sobre identidade, residência e outros dados que lhes digam respeito".
Em Dezembro, Portugal foi o primeiro país a oferecer-se para acolher detidos, depois de Barack Obama ter revelado a intenção de encerrar o campo de concentração de Guantánamo, em Cuba, que foi criado em 2002, pela administração Bush, para deter os combatentes inimigos da guerra contra o terrorismo, depois dos atentados de 11 de Setembro de 2001. Actualmente, a base de Guantánamo conta com cerca de 230 prisioneiros.