Primeiros manifestantes de Canas de Senhorim identificados ouvidos 5ª em tribunal

Primeiros manifestantes de Canas de Senhorim identificados ouvidos 5ª em tribunal

Populares de Canas de Senhorim identificados pela GNR em manifestações ocorridas em Novembro e Dezembro, onde exigiram a elevação daquela freguesia a concelho, começam a ser ouvidos quinta-feira no Tribunal de Nelas.

Agência LUSA /

Luís Pinheiro, presidente da Junta de Freguesia local e líder do Movimento de Restauração do Concelho de Canas de Senhorim (MRCCS), disse hoje à Agência Lusa que "dos 30 identificados pela GNR, dois são ouvidos" quinta-feira.

Segundo Luís Pinheiro, a audição dos 30 manifestantes, grupo onde também se inclui, "vai prolongar-se até aos finais de Abril".

"Fomos notificados para ir a tribunal, temos a indicação de que somos arguidos em vários processos, eu em quatro, por exemplo. Mas desses processos só sabemos o número, não sabemos a que se referem nem do que estamos a ser acusados", lamentou.

A pedido do Ministério Público, a GNR identificou populares que estiveram em manifestações ocorridas em Novembro e Dezembro, quando tentaram impedir a saída da Empresa Nacional de Urânio (ENU) de camiões carregados daquele minério com destino à Alemanha, sentando-se na estrada, e cortaram a linha dos caminhos de ferro.

No início de Janeiro, António Valente, oficial de Relações Públicas da Brigada 05 da GNR, explicou que, dando cumprimento a uma ordem do Ministério Público, foram identificados cidadãos que "tiveram uma intervenção passível de serem responsabilizados criminalmente", lembrando que "houve resistência à actuação das forças policiais e situações de agressões, injúrias e ameaças a militares".

"Nós temos direito a manifestar-nos e a lutarmos por o que queremos. Isto é perseguição política daquela que se fazia antes do 25 de Abril", reiterou Luís Pinheiro, que será ouvido no Tribunal de Nelas no próximo dia 24.

A mesma opinião tem António Marinho, advogado dos populares, que frisou à Lusa que "o direito à manifestação está garantido na Constituição".

"Por o que tive conhecimento através da comunicação social, não fizeram nada que já não tenha sido feito uma série de vezes neste país, noutros locais, nomeadamente em Vizela. Não me parece que tenham cometido crimes, embora tenha havido alguns excessos", acrescentou.

Para Luís Pinheiro, trata-se de "uma tentativa de fragmentar o movimento", lembrando que não eram só as 30 pessoas em causa que estavam nas manifestações.

Lembrou que, depois de estes terem sido identificados, "mais 400" foram, num gesto de solidariedade, voluntariamente apresentar a sua identificação ao posto local da GNR, com o argumento que também estiveram nas manifestações.

"No sei o que acontecerá a esses, se também serão chamados a tribunal ou não", acrescentou.

Para o próximo sábado está marcada uma deslocação a Lisboa, onde os activistas que lutam pela criação do concelho se vão "entregar ao Presidente da República", Jorge Sampaio.

"Vamos denunciar esta situação junto ao Palácio de Belém porque é uma vergonha transformarem Canas num caso de polícia. E, já que lá estamos, podem-nos prender, assim escusam de estar a dar trabalho ao Ministério Público", ironizou.

Jorge Sampaio, que vetou o diploma que permitia a criação de novos municípios, tem sido nos últimos tempos o principal alvo das críticas da população de Canas de Senhorim, que o acusam de não querer dialogar sobre a reivindicação da freguesia ser elevada a concelho.

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