Prisão de Sintra apresenta programa para reinserção dos reclusos

Prisão de Sintra apresenta programa para reinserção dos reclusos

O Estabelecimento Prisional de Sintra serviu de palco à apresentação do programa "Rumos de Futuro", que pretende reinserir os reclusos através da criação de um plano de vida.

Agência LUSA /

Nesta prisão cumprem penas de prisão, em média de cinco anos, 700 reclu sos.

"Rumos de futuro" é o instrumento que pretende "criar projectos de vida adequados a cada caso, com as componentes de formação profissional, integração em estágios experimentais e curso de empreendorismo", revelam os responsáveis pe la iniciativa.

O projecto vai envolver cem reclusos, sendo que 60 vão ser acompanhados desde o período de reclusão, 20 desde a liberdade condicional e 20 após a liber tação.

Deste grupo, vão ser seleccionadas 20 famílias que serão apoiadas no re gresso do recluso à sociedade, com o envolvimento da comunidade no acompanhament o dos casos.

O percurso do recluso acompanhado no âmbito do programa "Rumos de futur o", que já está a funcionar em regime experimental, começa com um processo de se lecção, após o qual o recluso é direccionado para uma de três vertentes: formaçã o profissional à medida, formação em empreendorismo ou colocação em actividades internas.

No período de transição, durante a liberdade condicional, há um acompan hamento da inserção na vida activa que vai permitir-lhe uma saída profissional q ue pode passar pela integração numa empresa, formação profissional à medida ou a criação da própria empresa.

Na última fase, já em liberdade, o apoio continua com o acompanhamento do ex-recluso e da sua família.

Os responsáveis pelo projecto "Rumos de Futuro" pretendem "envolver 15 a 30 empresas no acolhimento de ex-reclusos e na subcontratação de serviços ao E stabelecimento Prisional de Sintra (EPS).

Um dos parceiros do "Rumos de Futuro" é a Misericórdia da Amadora, a en tidade que vai fazer o acompanhamento de 75 reclusos na fase anterior e posterio r à liberdade.

O EPS caracteriza-se por acolher reclusos que se dedicaram "à pequena c riminalidade, na área da Grande Lisboa, têm pouca instrução e, na sua maioria, c om problemas de toxicodependência", revela a directora Fátima Corte.

"São jovens com baixas qualificações escolares, com quebra no relaciona mento familiar", caracteriza a vereadora da Câmara Municipal de Sintra, Susana R amos.

Por isso, "é preciso apoiar os jovens na procura de emprego e formação, e no restabelecimento dos laços familiares", sublinha Susana Ramos.

Neste projecto, revela a vereadora socialista, "a Câmara serve como pon te da comunidade, para mobilizar os recursos sociais e profissionais".

Os reclusos da EPS têm uma ocupação que lhes permite obter uma formação específica e, durante a visita ao EPS, foi possível observá-los a aprenderem um a arte, na oficina de automóveis, na carpintaria, na metalomecãnica e electricid ade.

Contudo cerca de metade dos 700 reclusos está ocupada nos trabalhos agr ícolas, nos vastos campos de cultivo que ocupam a maioria dos mais de cem hectar es do EPS.

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