País
Privados propõem encerramento da RTP2 e dois novos canais em sinal aberto
A hipótese da concessão de um canal de serviço público e do encerramento da RTP2 ainda era desconhecida quando em junho, os dois operadores privados de televisão em Portugal fizeram chegar ao Governo uma proposta conjunta tendo em vista a privatização da RTP. Segundo a edição desta quarta-feira do Jornal de Negócios, SIC e TVI enviaram ao primeiro-ministro um modelo que prevê a atribuição de duas novas licenças para emitir em sinal aberto na TDT, bem como o fim do segundo canal. Os privados querem ainda acabar com a publicidade na RTP1.
O objetivo é contribuir para a “reestruturação do setor audiovisual”, diz o Negócios, remetendo para o acordo firmado entre os dois operadores. A pretensão dos donos da SIC e da TVI passa, assim, por criar dois novos canais em sinal aberto, um sob a alçada da TVI e outro a ser gerido pela SIC, alargando a oferta disponível na Televisão Digital Terrestre. As novas estações seriam livres de publicidade, pelo menos numa primeira fase, e funcionariam numa base próxima do conceito de serviço público,
A intenção é beneficiar do financiamento da taxa de contribuição audiovisual, cerca de 140 milhões de euros, atualmente atribuída à RTP, e garantir a exclusividade das receitas do mercado da publicidade, que representa a principal fonte de inquietação dos operadores privados no que toca ao processo de privatização da RTP previsto no programa do Governo.
A proposta da SIC e da TVI revela ainda a aposta numa gestão tripartida dos meios de produção, de forma a reduzir os custos suportados neste campo por cada operador. O Negócios acrescenta que o modelo defendido pelos privados não obteve resposta oficial do Executivo de Pedro Passos Coelho.
Sampaio alia-se a movimento
Entretanto, o ex-Presidente da República, Jorge Sampaio, juntou-se ao lote de signatários do manifesto "Em defesa do serviço público de rádio e de televisão", que contesta o eventual modelo de concessão da RTP a privados, anunciado na semana passada pelo consultor do Governo, António Borges.
A página do movimento, promovido, entre outras figuras da sociedade, pelo realizador António Pedro Vasconcelos, parte em defesa da RTP como “um elemento fundamental de coesão social, de combate à exclusão, de garantia de pluralismo, de defesa da língua e da cultura, de presença no vasto mundo lusófono, e o meio privilegiado de formação do gosto e do espírito crítico, de acesso à cultura, ao entretenimento de qualidade e a uma informação rigorosa e independente, a que os portugueses têm direito”.
O que é o serviço público?
A Antena 1 promoveu esta quarta-feira um debate sobre o serviço público de rádio e televisão que contou com a intervenção de Adelino Gomes, jornalista, antigo diretor da RDP e ex-provedor do ouvinte, Arons de Carvalho, professor universitário, doutorado em Ciências da Comunicação, antigo secretário de Estado da Comunicação Social, conselheiro da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, João Duque, economista, liderou o grupo de trabalho criado pelo Governo para a definição do conceito de serviço público, Francisco Rui Cádima, professor catedrático de Ciências da Comunicação, especialista em serviço público de televisão e Nuno Encarnação, deputado do PSD.
O debate está disponível no site da Antena 1.
O manifesto, assinado por personalidades “provenientes dos mais variados quadrantes políticos e ideológicos”, apela à constituição de uma empresa "desgovernamentalizada, deixando de ser o Governo a nomear a administração, para garantir a sua independência".
Os signatários acrescentam ainda que “seja qual for a 'solução final' proposta pelo Governo, não aceitam qualquer medida suscetível de amputar, enfraquecer ou alienar a propriedade ou a gestão do serviço público de rádio e de televisão".
Na terça-feira, o Partido Comunista anunciou para o próximo dia 18 de setembro, às 14h30, a realização de uma audição pública contra o "desmantelamento" da RTP. "Vamos obviamente querer contar com a participação dos representantes dos trabalhadores da casa, mas de todos aqueles que têm essa preocupação e essa vontade de ter no seu país uma televisão e uma rádio que sejam de nós todos, que sejam do povo português", declarou Bruno Dias, deputado do PCP.
Na ordem do dia está ainda a nomeação do próximo conselho de administração da RTP, após a demissão na passada sexta-feira da equipa encabeçada por Guilherme Costa, que mantém a gestão interina da empresa.
O Diário Económico avança esta quarta-feira que, apesar de a Comissão de Recrutamento e Selecção da Administração Pública (CReSAP) não ter recebido ainda qualquer indicação sobre potenciais candidatos, o grupo de reflexão da Boston Consulting Group (BCG), que está a colaborar com o Governo no processo de reestruturação da RTP, tem em cima da mesa nomes como Bagão Félix, ex-ministro das Finanças, António Pires de Lima, atual CEO da Unicer, Alberto da Ponte, da Heineken, António Casanova, da Unilever e ainda João Cotrim Figueiredo, ex-diretor geral da TVI.
A intenção é beneficiar do financiamento da taxa de contribuição audiovisual, cerca de 140 milhões de euros, atualmente atribuída à RTP, e garantir a exclusividade das receitas do mercado da publicidade, que representa a principal fonte de inquietação dos operadores privados no que toca ao processo de privatização da RTP previsto no programa do Governo.
A proposta da SIC e da TVI revela ainda a aposta numa gestão tripartida dos meios de produção, de forma a reduzir os custos suportados neste campo por cada operador. O Negócios acrescenta que o modelo defendido pelos privados não obteve resposta oficial do Executivo de Pedro Passos Coelho.
Sampaio alia-se a movimento
Entretanto, o ex-Presidente da República, Jorge Sampaio, juntou-se ao lote de signatários do manifesto "Em defesa do serviço público de rádio e de televisão", que contesta o eventual modelo de concessão da RTP a privados, anunciado na semana passada pelo consultor do Governo, António Borges.
A página do movimento, promovido, entre outras figuras da sociedade, pelo realizador António Pedro Vasconcelos, parte em defesa da RTP como “um elemento fundamental de coesão social, de combate à exclusão, de garantia de pluralismo, de defesa da língua e da cultura, de presença no vasto mundo lusófono, e o meio privilegiado de formação do gosto e do espírito crítico, de acesso à cultura, ao entretenimento de qualidade e a uma informação rigorosa e independente, a que os portugueses têm direito”.
O que é o serviço público?
A Antena 1 promoveu esta quarta-feira um debate sobre o serviço público de rádio e televisão que contou com a intervenção de Adelino Gomes, jornalista, antigo diretor da RDP e ex-provedor do ouvinte, Arons de Carvalho, professor universitário, doutorado em Ciências da Comunicação, antigo secretário de Estado da Comunicação Social, conselheiro da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, João Duque, economista, liderou o grupo de trabalho criado pelo Governo para a definição do conceito de serviço público, Francisco Rui Cádima, professor catedrático de Ciências da Comunicação, especialista em serviço público de televisão e Nuno Encarnação, deputado do PSD.
O debate está disponível no site da Antena 1.
O manifesto, assinado por personalidades “provenientes dos mais variados quadrantes políticos e ideológicos”, apela à constituição de uma empresa "desgovernamentalizada, deixando de ser o Governo a nomear a administração, para garantir a sua independência".
Os signatários acrescentam ainda que “seja qual for a 'solução final' proposta pelo Governo, não aceitam qualquer medida suscetível de amputar, enfraquecer ou alienar a propriedade ou a gestão do serviço público de rádio e de televisão".
Na terça-feira, o Partido Comunista anunciou para o próximo dia 18 de setembro, às 14h30, a realização de uma audição pública contra o "desmantelamento" da RTP. "Vamos obviamente querer contar com a participação dos representantes dos trabalhadores da casa, mas de todos aqueles que têm essa preocupação e essa vontade de ter no seu país uma televisão e uma rádio que sejam de nós todos, que sejam do povo português", declarou Bruno Dias, deputado do PCP.
Na ordem do dia está ainda a nomeação do próximo conselho de administração da RTP, após a demissão na passada sexta-feira da equipa encabeçada por Guilherme Costa, que mantém a gestão interina da empresa.
O Diário Económico avança esta quarta-feira que, apesar de a Comissão de Recrutamento e Selecção da Administração Pública (CReSAP) não ter recebido ainda qualquer indicação sobre potenciais candidatos, o grupo de reflexão da Boston Consulting Group (BCG), que está a colaborar com o Governo no processo de reestruturação da RTP, tem em cima da mesa nomes como Bagão Félix, ex-ministro das Finanças, António Pires de Lima, atual CEO da Unicer, Alberto da Ponte, da Heineken, António Casanova, da Unilever e ainda João Cotrim Figueiredo, ex-diretor geral da TVI.