Procura das tradicionais bengalas de Gestaçô esgota madeira e capacidade de artesãos de Baião

Procura das tradicionais bengalas de Gestaçô esgota madeira e capacidade de artesãos de Baião

A Câmara de Baião está a estudar a possibilidade de utilizar terrenos municipais para produzir madeira destinada ao fabrico das bengalas de Gestaçô, numa medida que visa aumentar a produção de um dos produtos artesanais mais conhecidos do concelho.

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"Precisamos de ganhar mais capacidade de produção, o que poderá passar pela utilização de terrenos camarários para produzir madeira que depois será utilizada como matéria-prima no fabrico das bengalas", afirmou hoje José Luís Carneiro, presidente da Câmara de Baião, em declarações à Lusa.

As bengalas fabricadas pelos artesãos da freguesia de Gestaçô são um dos produtos artesanais mais conhecidos do concelho de Baião, remontando as suas origens a finais do século XIX.

Depois de um período áureo, as bengalas passaram de moda e o seu fabrico foi sendo progressivamente reduzido, até que recentemente a situação se inverteu, quando os estudantes universitários as adoptaram para a Queima das Fitas.

"Os artesãos actualmente não têm mãos a medir porque a procura de bengalas por estudantes de todo o país praticamente esgota a produção", salientou José Luís Carneiro, acrescentando que a autarquia "muitas vezes tem dificuldades em adquirir bengalas para oferecer".

Actualmente existem em Baião seis artesãos que fabricam bengalas, dois dos quais têm mais de 80 anos, o que levou a autarquia a desenvolver iniciativas para "valorizar este ofício, que pode ser uma fonte de rendimento para as famílias".

"É preciso criar condições para que os jovens possam ver nesta actividade uma possibilidade de futuro", salientou o autarca, acrescentando que, além do aumento da produção de madeira, a Câmara de Baião está também a estudar com as entidades competentes o lançamento de cursos de formação nesta área.

Por outro lado, numa iniciativa que visa dar mais visibilidade às tradicionais bengalas, a autarquia inaugura terça-feira um núcleo de artes e ofícios tradicionais dedicado especialmente às bengalas de Gestaçô.

O Museu da Bengala, num investimento de cerca de 85 mil euros, permite conhecer a história das bengalas e dos artesãos que as fabricam, incluindo ainda uma oficina onde será possível assistir ao fabrico de uma bengala.

"Pretendemos criar uma estrutura com condições dignas para o público poder ver como se fabricam as bengalas", salientou José Luís Carneiro, acrescentando que este espaço se insere "numa estratégia de valorização" do território do concelho.

O Museu da Bengala, tal como os monumentos megalíticos que integram o sítio museológico da Serra da Aboboreira, são os dois primeiros exemplos de uma estratégia delineada pela autarquia para maximizar o potencial gerado pelos cerca de 50 mil visitantes que anualmente visitam o concelho de Baião.


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