PS acusa autarquia de estar a camuflar construção de um novo aterro sanitário no concelho
Porto, 10 Jan (Lusa) - O PS/Gaia acusou hoje a autarquia local de estar a tentar camuflar a construção de um novo aterro sanitário na freguesia de Sandim.
"A câmara está a tentar dissimular a construção de um novo aterro sanitário em Sandim, numa das freguesias limites do concelho, que também servirá o concelho de Santa Maria da Feira, anunciando agora que se opõe ao projecto de construção da Central de Valorização Orgânica em Sermonde", afirmou à Lusa o presidente do PS/Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues.
Segundo referiu, o actual aterro que recebe todos os resíduos do concelho ultrapassou os limites previstos, no final do ano passado, e a autarquia não tem solução à vista.
"Agora a Câmara entende que o investimento a realizar na central orgânica é desnecessário e que deve ser utilizado no novo aterro em Sandim", acrescentou Vítor Rodrigues.
O PS/Gaia defende, afirma, a "adesão do município à Lipor - Serviço Intermunicipalizado de Resíduos do Grande Porto e a extinção da hipótese de um aterro sanitário nas fronteiras do concelho".
"Esta adesão à Lipor pode ser feita, ora num lógica de participação activa e igual aos demais municípios, ora numa lógica de cliente", disse Eduardo Rodrigues.
Os socialistas de Gaia admitem que a adesão à Lipor é "mais cara", mas consideram ser "a única alternativa viável e sustentável".
"De facto, a adesão à Lipor irá aumentar, por efeito de economia de escala, a produção de energia para a rede e consequente aumento do lucro com a respectiva venda, ou seja, a entrada de Gaia pode contribuir para baixar o preço final para todos", sustentam os socialistas gaienses.
Relativamente à central de valorização orgânica, o PS/Gaia relembra que a construção deste equipamento "foi uma proposta acolhida pela Câmara de Gaia, com consequente desenvolvimento, aquando da apresentação da candidatura ao III Quadro Comunitário de Apoio".
O responsável socialista disse saber que a autarquia já levou o presidente da junta de freguesia de Sandim a "outros equipamentos semelhantes" e já esteve a fazer "levantamentos" no terreno, designadamente no local onde pretenderá instalar o novo aterro.
Contactado pela Lusa, o vereador do Ambiente da Câmara de Gaia, Mário Fontemanha, afirmou que estas acusações do PS demonstram "ou ignorância ou demagogia política".
"A autarquia, em acordo com Santa Maria da Feira, município com quem partilha o aterro sanitário, estabeleceu uma alternância", disse o autarca, adiantando que, dentro desta lógica, um próximo aterro a construir será sempre no concelho vizinho e não em Gaia.
A câmara, adiantou o vereador, defende que não se deve construir a Central de Valorização Orgânica no aterro de Sermonde, que tem uma vida útil de apenas cerca de quatro anos.
JAP.