PS afirma que Chega quer fragilizar a PJ e aponta investigações à extrema-direita armada
O PS acusou hoje o Chega de pretender fragilizar a PJ com uma comissão parlamentar de inquérito sobre os mandatos do ministro Luís Neves na direção nacional desta polícia e aponta as investigações feitas à extrema-direita armada.
Esta posição foi assumida pelo líder parlamentar socialista, Eurico Brilhante Dias, em conferência de imprensa, após ser confrontado com a intenção do Chega de avançar com uma comissão parlamentar de inquérito sobre os mandatos do atual ministro da Administração Interna enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ).
"Não deixa de ser surpreendente que, estando a decorrer um processo que coloca em causa milhares e milhares de alunos, com impacto em milhares e milhares de famílias no país, o Chega apresenta antes uma comissão parlamentar de inquérito a um caso individual de integridade de um membro do Governo", reagiu Eurico Brilhante Dias.
O PS, de acordo com o seu líder parlamentar, defende que o ministro da Administração Interna deverá esclarecer tudo, porque "a integridade é um elemento central no exercício de funções públicas".
"Na próxima semana, aguardamos o momento desse esclarecimento, que deve ser um esclarecimento cabal. A partir dessa intervenção do ministro da Administração Interna, o PS não deixará se pronunciar sobre a qualidade da resposta", assegurou.
Porém, segundo o presidente da bancada do PS, os socialistas não vão embarcar "em momento algum na fragilização da PJ - uma instituição central para o combate ao crime". Depois, deixou um conjunto de questões:
"O Chega quer fragilizar a PJ porquê? Quer fragilizar a PJ devido às investigações sobre as ligações do Movimento 1143 ao Chega? Quer fragilizar a PJ pelas ligações do Movimento Armilar (MAL), que tinha uma lista de alvos indesejáveis e que tem inequívocas ligações ao Chega?", questionou.
Eurico Brilhante Dias foi ainda mais longe: "O Chega está a atacar a PJ porque tem algum receio sobre as investigações que ligam alguns financiadores ao Chega e à extrema-direita?"
"Não me cabe a mim proteger ou defender o ministro da Administração Interna do primeiro-ministro Luís Montenegro. O PS exige transparência e respostas, dizendo que a integridade no exercício de funções públicas é uma exigência. Quem não está disponível para ser íntegro, não pode estar na vida pública", ressalvou.