Pugilista do Boavista acusado de oito crimes só admite posse de arma proibida

Pugilista do Boavista acusado de oito crimes só admite posse de arma proibida

Um pugilista do Boavista, acusado de duas tentativas de homicídio e mais seis crimes, perpetrados em ginásios e estabelecimentos nocturnos do Grande Porto, admite apenas a posse de arma proibida, disse à Lusa o seu advogado.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

O pugilista A. P. Quincana começou hoje a ser julgado no Tribunal de S. João Novo, Porto, numa sessão em que as testemunhas de acusação pouco ajudaram à clarificação dos factos, irritando o procurador do Ministério Público (MP) e o juiz-presidente do colectivo da 2ª Vara.

A uma testemunha, o procurador pediu mesmo para "não jurar falso", e juiz-presidente acusou-a de contribuir, com o seu comportamento, para que se torne "impossível fazer justiça".

A testemunha, dona de um ginásio em Gaia, presenciou um disparo no seu estabelecimento, mas assegurou que não reconheceu o autor.

Duas outras testemunhas arroladas pelo MP confirmaram que o arguido disparou "um tiro para o chão" num ginásio da Maia, em 2005.

Os dois testemunhos, um deles de um antigo segurança, convergiram também no sentido em que A. P. Quicana procuraria alguém que o teria perseguido e ameaçado, depois de o seu carro ter sido atingido com 50 tiros, e incendiado, após uma ameaça de rapto do seu filho.

"Sentia-se injustiçado e ameaçado", disse o antigo segurança, que admitiu ser amigo do arguido.

Outra testemunha da cena disse que o arguido perguntou por uma pessoa que não se encontrava no ginásio e pediu-lhe "para não se meter", porque o alvo da sua fúria seria um terceiro.

Já o dono do ginásio da Maia assegurou que nunca viu o arguido, nem presenciou o disparo, queixando-se de que o incidente ainda hoje lhe afecta o negócio.

O gerente de um ginásio em Matosinhos, instrutor de artes marciais e auto-denominado "assessor" de um estabelecimento nocturno também palco de distúrbios imputados ao arguido, assumiu que tivera um confronto físico "um bocadinho violento" com A.P. Quincana.

O delegado do MP atalhou que a "pega" fora "feia" e que o arguido só não o atirou a um rio porque a polícia interveio, mas a testemunha garantiu que não: "Eu é que não deixei que ele me atirasse ao rio".

Reconduzido o seu depoimento para o essencial, o instrutor de artes marciais garantiu que nada sabia sobre o incidente no estabelecimento nocturno, que ocorreu numa terça-feira, quando "toda a gente sabia" que só lá ia aos fins-de-semana.

Uma empregada desse estabelecimento nocturno atribuiu os incidentes a um homem branco e outro "preto", mas garantiu que nenhum era o pugilista.

Um dos homens atirou um Cocktail Molotov contra um balcão, provocando um princípio de incêndio, e outro fez um disparo de "uma arma grande", estilhaçando um vidro, contou ao tribunal.

Os factos em julgamento ocorreram entre 1999 e 2006 e o arguido, em prisão preventiva, é acusado de oito crimes: dois de homicídio qualificado na forma tentada, dois de posse de arma proibida, um de ofensas corporais graves, um de incêndio, um de dano e um de coacção grave.

O julgamento prossegue dia 27.


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