Pugilista do Boavista acusado de oito crimes só admite posse de arma proibida
Um pugilista do Boavista, acusado de duas tentativas de homicídio e mais seis crimes, perpetrados em ginásios e estabelecimentos nocturnos do Grande Porto, admite apenas a posse de arma proibida, disse à Lusa o seu advogado.
O pugilista A. P. Quincana começou hoje a ser julgado no Tribunal de S. João Novo, Porto, numa sessão em que as testemunhas de acusação pouco ajudaram à clarificação dos factos, irritando o procurador do Ministério Público (MP) e o juiz-presidente do colectivo da 2ª Vara.
A uma testemunha, o procurador pediu mesmo para "não jurar falso", e juiz-presidente acusou-a de contribuir, com o seu comportamento, para que se torne "impossível fazer justiça".
A testemunha, dona de um ginásio em Gaia, presenciou um disparo no seu estabelecimento, mas assegurou que não reconheceu o autor.
Duas outras testemunhas arroladas pelo MP confirmaram que o arguido disparou "um tiro para o chão" num ginásio da Maia, em 2005.
Os dois testemunhos, um deles de um antigo segurança, convergiram também no sentido em que A. P. Quicana procuraria alguém que o teria perseguido e ameaçado, depois de o seu carro ter sido atingido com 50 tiros, e incendiado, após uma ameaça de rapto do seu filho.
"Sentia-se injustiçado e ameaçado", disse o antigo segurança, que admitiu ser amigo do arguido.
Outra testemunha da cena disse que o arguido perguntou por uma pessoa que não se encontrava no ginásio e pediu-lhe "para não se meter", porque o alvo da sua fúria seria um terceiro.
Já o dono do ginásio da Maia assegurou que nunca viu o arguido, nem presenciou o disparo, queixando-se de que o incidente ainda hoje lhe afecta o negócio.
O gerente de um ginásio em Matosinhos, instrutor de artes marciais e auto-denominado "assessor" de um estabelecimento nocturno também palco de distúrbios imputados ao arguido, assumiu que tivera um confronto físico "um bocadinho violento" com A.P. Quincana.
O delegado do MP atalhou que a "pega" fora "feia" e que o arguido só não o atirou a um rio porque a polícia interveio, mas a testemunha garantiu que não: "Eu é que não deixei que ele me atirasse ao rio".
Reconduzido o seu depoimento para o essencial, o instrutor de artes marciais garantiu que nada sabia sobre o incidente no estabelecimento nocturno, que ocorreu numa terça-feira, quando "toda a gente sabia" que só lá ia aos fins-de-semana.
Uma empregada desse estabelecimento nocturno atribuiu os incidentes a um homem branco e outro "preto", mas garantiu que nenhum era o pugilista.
Um dos homens atirou um Cocktail Molotov contra um balcão, provocando um princípio de incêndio, e outro fez um disparo de "uma arma grande", estilhaçando um vidro, contou ao tribunal.
Os factos em julgamento ocorreram entre 1999 e 2006 e o arguido, em prisão preventiva, é acusado de oito crimes: dois de homicídio qualificado na forma tentada, dois de posse de arma proibida, um de ofensas corporais graves, um de incêndio, um de dano e um de coacção grave.
O julgamento prossegue dia 27.