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Silva Carvalho diz que "combate à desinformação deve ser uma política pública"
No debate sobre a desinformação no programa da Antena 1, Consulta Pública, Jorge Silva Carvalho defende que "o combate à desinformação deve ser uma política pública".
Fotografias: Jorge Carmona
"Não há nenhuma entidade com a competência para combater a desinformação", lamenta Telmo Gonçalves. O conselheiro da Entidade Reguladora para a Comunicação Social entende que "terá de haver uma estratégia de combate à desinformação, isso é o mais importante, e que passa por várias medidas e por várias entidades".
A regulação é essencial, mas nem sempre fácil de implementar. Alfredo Sousa de Jesus, chefe do Gabinete do Parlamento Europeu em Portugal, admite que "a lei nunca vai correr mais depressa do que a tecnologia. Por muito que façamos leis, que sejam tecnologicamente neutras e que permitam antecipar a evolução tecnológica, estamos sempre numa corrida contra o tempo".
A desinformação sempre existiu e vai continuar a existir, a ideia é unânime entre os especialistas ouvidos no Consulta Pública.
Para Gustavo Cardoso, sociólogo e coordenador do MediaLab CIES-Iscte, "passámos de um sistema de comunicação no qual quem escrevia e quem gravava eram jornalistas, pessoas com um código profissional associado, para um mundo onde todos nós escrevemos, gravamos e partilhamos através das plataformas".
Além dessas alterações, Sofia Branco, jornalista da Agência Lusa, destaca outras matérias que contribuem para o aumento da desinformação. "A crise financeira na comunicação social é um problema e os Estados têm que entender que o jornalismo é um bem público. E outra preocupação é a precariedade laboral. É preciso uma resposta pública robusta para promover o jornalismo", defende.
O novo sistema de comunicação social tem exigido novas ferramentas, como a verificação de factos. Salomé Martins Leal, Diretora Executiva do Polígrafo, questiona: "a verificação de factos, chega a quem precisa? Não sei". E acrescenta: "sei é que estamos muito atrasados na discussão".
A desinformação traz novos desafios. É o que refere Maria Eduarda Borges. A advogada da Abreu Associados alerta para o facto de estarmos "perante um eventual conflito de dois direitos fundamentais: a liberdade de expressão e o direito a uma informação completa, séria, exata e o mais correta possível". E adianta que "a partir do momento em que os atores da informação deixam de ser estritamente jornalistas, o potencial para esse conflito é maior".
A desinformação é um fenómeno transversal, que afecta todas as faixas etárias. Inclusive os seniores. Para Margarida Maneta, doutoranda em Comunicação e Ativismos, "com os seniores, não se trata só de terem acesso, mas também sobre a qualidade desse acesso. Por exemplo: que fontes de informação usam, se sabem distinguir a publicidade da informação".
A desinformação tem vindo a aumentar em contexto eleitoral no nosso país. O LabCom -Laboratório de Comunicação da Universidade da Beira Interior, estudou três atos eleitorais e concluiu que há um partido que se destaca quando se fala de desinformação. Reportagem da jornalista da Antena 1, Fátima Pinto. O programa Consulta Pública foi moderado pelo jornalista António Jorge.