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Silva Carvalho diz que "combate à desinformação deve ser uma política pública"

Silva Carvalho diz que "combate à desinformação deve ser uma política pública"

No debate sobre a desinformação no programa da Antena 1, Consulta Pública, Jorge Silva Carvalho defende que "o combate à desinformação deve ser uma política pública".

Andreia Brito e António Jorge /

Fotografias: Jorge Carmona

O consultor em Estratégia e Segurança esclarece que assim deve ser porque "os atores que promovem desinformação são potências estrangeiras, grupos terroristas ou grupos criminosos, empresas ao serviço de forças políticas, normalmente radicais".

"Não há nenhuma entidade com a competência para combater a desinformação", lamenta Telmo Gonçalves. O conselheiro da Entidade Reguladora para a Comunicação Social entende que "terá de haver uma estratégia de combate à desinformação, isso é o mais importante, e que passa por várias medidas e por várias entidades".

A regulação é essencial, mas nem sempre fácil de implementar. Alfredo Sousa de Jesus, chefe do Gabinete do Parlamento Europeu em Portugal, admite que "a lei nunca vai correr mais depressa do que a tecnologia. Por muito que façamos leis, que sejam tecnologicamente neutras e que permitam antecipar a evolução tecnológica, estamos sempre numa corrida contra o tempo".

A desinformação sempre existiu e vai continuar a existir, a ideia é unânime entre os especialistas ouvidos no Consulta Pública.

Para Gustavo Cardoso, sociólogo e coordenador do MediaLab CIES-Iscte, "passámos de um sistema de comunicação no qual quem escrevia e quem gravava eram jornalistas, pessoas com um código profissional associado, para um mundo onde todos nós escrevemos, gravamos e partilhamos através das plataformas".

Além dessas alterações, Sofia Branco, jornalista da Agência Lusa, destaca outras matérias que contribuem para o aumento da desinformação. "A crise financeira na comunicação social é um problema e os Estados têm que entender que o jornalismo é um bem público. E outra preocupação é a precariedade laboral. É preciso uma resposta pública robusta para promover o jornalismo", defende.

O novo sistema de comunicação social tem exigido novas ferramentas, como a verificação de factos. Salomé Martins Leal, Diretora Executiva do Polígrafo, questiona: "a verificação de factos, chega a quem precisa? Não sei". E acrescenta: "sei é que estamos muito atrasados na discussão".

A desinformação traz novos desafios. É o que refere Maria Eduarda Borges. A advogada da Abreu Associados alerta para o facto de estarmos "perante um eventual conflito de dois direitos fundamentais: a liberdade de expressão e o direito a uma informação completa, séria, exata e o mais correta possível". E adianta que "a partir do momento em que os atores da informação deixam de ser estritamente jornalistas, o potencial para esse conflito é maior".

A desinformação é um fenómeno transversal, que afecta todas as faixas etárias. Inclusive os seniores. Para Margarida Maneta, doutoranda em Comunicação e Ativismos, "com os seniores, não se trata só de terem acesso, mas também sobre a qualidade desse acesso. Por exemplo: que fontes de informação usam, se sabem distinguir a publicidade da informação".

A desinformação tem vindo a aumentar em contexto eleitoral no nosso país. O LabCom -Laboratório de Comunicação da Universidade da Beira Interior, estudou três atos eleitorais e concluiu que há um partido que se destaca quando se fala de desinformação. Reportagem da jornalista da Antena 1, Fátima Pinto.
O programa Consulta Pública foi moderado pelo jornalista António Jorge. 
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