Quercus atribui responsabilidades pelos efeitos das cheias aos incêndios e falta de ordenamento
Os ambientalistas da Quercus defenderam hoje que os efeitos das cheias e das inundações dos últimos dias estão a ser "potenciados" pela falta de planeamento e ordenamento do território e pela desflorestação resultante dos incêndios.
"Existem diversos casos em que obras públicas em leitos de cheia são ef ectuadas em aterro, em vez de serem construídos viadutos que permitam a livre pa ssagem das águas", denuncia a associação ambientalista, em comunicado hoje divul gado.
As situações mais evidentes deste problema, acrescentam, existem em via s de comunicação como nas obras de modernização da Linha do Norte promovidas rec entemente pela REFER, com os aterros em leito de cheias e o mau planeamento dos sistemas de drenagem.
A Quercus acusa as entidades públicas de responsabilidade por alguns do s maiores problemas de obstrução em leitos de cheias dos últimos anos, com a ocu pação através de aterros das áreas de zona ameaçadas pelas cheias, "com o indevi do reconhecimento público das obras" em Reserva Ecológica Nacional (REN), "sem i mplementarem as melhores soluções técnicas".
Os ambientalistas lembram que o impacte das grandes cheias tem sido "po tenciado" pela falta de planeamento e ordenamento do território, nomeadamente co m urbanizações em zonas ameaçadas pelas cheias da REN.
E explicam que as urbanizações e a impermeabilização dos solos impedem a infiltração das águas no solo e aumentam o escorrimento superficial das águas, com rapidez, provocando problemas de drenagem e as consequentes inundações das áreas adjacentes às linhas de água.
As áreas desflorestadas pelos incêndios agravam mais o problema, salien tam, dado que a falta de vegetação provoca também o rápido escorrimento das água s para os rios e ribeiros, com a agravante de arrastarem as terras que vão assor ear os leitos das linhas de água, reduzindo a sua capacidade de vazão.
A Quercus aconselha uma melhoria do planeamento do território, nomeadam ente incluindo todas as áreas de leito de cheia na cartografia de condicionantes dos PDM`s (Plano Director Municipal), em fase de revisão.
Os ambientalistas recomendam ainda às Comissões de Coordenação e Desenv olvimento Regionais (CCDR) que sejam "cautelosas" a avaliar estudos hidrológicos e hidraúlicos que visem a redução das zonas ameaçadas pelas cheias, nomeadament e onde existe especulação imobiliária.