Reconhecimento como doença crónica não é para já
A presidente da Associação Portuguesa de Doentes com Fibromialgia indicou que o governo não vai, para já, criar legislação que permita o reconhecimento desta enfermidade como doença crónica.
Fernanda Margarida Neves de Sá falava aos jornalistas no final de um encontro com um assessor do ministro da Saúde, durante uma concentração frente ao ministério de Correia de Campos destinada precisamente a reivindicar o reconhecimento legal desta doença como crónica.
O enquadramento legal é fundamental para que sejam assegurados a estes doentes direitos que têm outros doentes crónicos, como reformas por invalidez, redução do preço dos medicamentos ou a possibilidade de adaptação do horário laboral.
Segundo a responsável, a resposta que obteve quanto a este pedido foi de que "o enquadramento é uma questão política e é o mais difícil de atingir".
A presidente da associação invocou o seu caso pessoal para explicar a importância do problema: tem uma incapacidade de 60 por cento, mas a obrigação de desempenhar a actividade laboral a cem por cento.
"Perante isto, o doente só tem uma opção, "ou trabalha com um sofrimento enorme e com as lágrimas a correr, ou vem a zero para casa com a ajuda de familiares e amigos", disse.
No entanto, durante o encontro, o governo prometeu que vai tentar criar grupos clínicos em todo o país para diagnosticar os doentes fibromiálgicos, salientou.
"Deste encontro saiu a garantia de que o ministério tudo fará, com a ajuda da APDF, para que sejam criados grupos clínicos nas cinco regiões do país, com clínicos devidamente habilitados para fazer o diagnóstico dos verdadeiros doentes com fibromialgia", afirmou.
Fernanda Sá lamentou que nos últimos anos tenha acontecido em Portugal algo que não aconteceu em mais país nenhum: "Nos últimos anos a fibromialgia foi conotada como a doença da moda, dos VIP`s, dos preguiçosos e de quem não quer trabalhar".
Segundo a responsável, esta situação prejudicou ainda mais os doentes, que perderem a dignidade e passaram a ter vergonha de assumir a doença, e deu origem ao aparecimento de falsos doentes de fibromialgia.
Por isso, Fernanda Sá considerou muito positiva a intenção do Governo de ajudar a detectar os verdadeiros casos e assegurou que a APDF sempre lutou e lutará contra estes falsos doentes.
Apesar de não haver números oficiais, a responsável disse que se calcula em 350 mil o número de doentes com fibromialgia, mas que se tem verificado que há muitos doentes diagnosticados que provavelmente não são na realidade fibromiálgicos.