Relação reduz pena de ex-SEF por ter protegido inspetores que mataram ucraniano

Relação reduz pena de ex-SEF por ter protegido inspetores que mataram ucraniano

O Tribunal da Relação de Lisboa reduziu a pena suspensa de prisão aplicada ao antigo dirigente do SEF por, em 2020, ter protegido de processos disciplinares três inspetores que mataram um cidadão ucraniano no aeroporto de Lisboa.

Lusa /

Em 24 de janeiro de 2025, o diretor de Fronteiras de Lisboa aquando da morte de Ihor Homeniuk tinha sido condenado pelo Tribunal Local Criminal de Lisboa a dois anos e seis meses de prisão, suspensos na sua execução por igual período, pela prática de um crime de denegação de justiça e prevaricação.

O arguido, de cerca de 60 anos, recorreu para o Tribunal da Relação de Lisboa, que, na quinta-feira, decidiu condená-lo antes por um crime de abuso de poder - e não de denegação de justiça e prevaricação - a um ano e dez meses de pena de prisão, também suspensa por igual período, segundo o acórdão a que a Lusa teve acesso.

A decisão não foi unânime, com uma das três juízas desembargadoras a defender que o arguido deveria ser absolvido, por não constar explicitamente da acusação do Ministério Público que António Sérgio Henriques "tinha conhecimento das circunstâncias da morte" de Ihor Homeniuk.

Na decisão, o Tribunal da Relação de Lisboa confirmou, por outro lado, a condenação a seis meses de pena suspensa de prisão de dois vigilantes do Espaço Equiparado a Centro de Instalação Temporária (EECIT) do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, por exercício ilícito da atividade de segurança privada.

Em causa está o facto de os seguranças terem, na noite anterior à morte, manietado o cidadão ucraniano, de 40 anos, com fita adesiva nas pernas e nos braços, contribuindo, com a sua conduta, para "o crescendo da situação" e a propagação do rumor falso de que a vítima era violenta, fundamentou, em janeiro de 2025, o Tribunal Local Criminal de Lisboa.

Ihor Homeniuk morreu asfixiado em 12 de março de 2020, depois de ter sido espancado e deixado deitado e algemado numa sala do EECIT por três inspetores do então Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), extinto em outubro de 2023.

Duarte Laja, Luís Silva e Bruno Sousa foram condenados em 2021 pelo Tribunal Central Criminal de Lisboa, no processo principal do caso, a nove anos de prisão por ofensa à integridade física qualificada, agravada pelo resultado (morte), tendo saído em liberdade condicional no final de março de 2026.

Os ex-inspetores, expulsos da função pública, foram colocados em prisão domiciliária em março de 2020, ainda durante a investigação do caso, e entregaram-se em agosto de 2023 no Estabelecimento Prisional de Évora para cumprir o que restava da pena, após a condenação ter transitado em julgado, tornando-se definitiva.

No processo secundário que culminou na condenação do ex-diretor de Fronteiras de Lisboa e dos dois seguranças, foram ainda absolvidos dois outros inspetores que tinham sido acusados de homicídio negligente por omissão.

O caso aconteceu depois de o SEF ter recusado na fronteira do aeroporto de Lisboa a entrada em Portugal de Ihor Homeniuk.

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