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Relatório sobre apagão propõe coordenação. "Fatores interligados" geraram "colapso total"

Relatório sobre apagão propõe coordenação. "Fatores interligados" geraram "colapso total"

É esta a conclusão do painel de peritos da Rede Europeia de Gestores de Redes de Transporte de Eletricidade, que recomenda um reforço das regras e coordenação.

Andrea Neves - correspondente da Antena 1 em Bruxelas /
Pedro A. Pina - RTP

O apagão em Portugal e Espanha resultou de uma combinação de diversos fatores interligados que conduziram a desconexões em cascata, culminando na perda de sincronismo do sistema ibérico com a Área da Europa Continental. É o que conclui o painel de peritos da Rede Europeia de Gestores de Redes de Transporte de Eletricidade no relatório apresentado esta sexta-feira em Bruxelas.

A investigação conduzida pelo Painel de Peritos conclui que “o apagão resultou de uma combinação de diversos fatores interligados, incluindo oscilações, falhas no controlo de tensão e potência reativa, diferenças nas práticas de regulação de tensão, reduções rápidas de produção e desconexões de geradores em Espanha, bem como capacidades de estabilização desiguais”. No relatório pode ler-se que “estes fatores levaram a aumentos rápidos de tensão e a desconexões em cascata por sobretensão culminando na perda de sincronismo do sistema ibérico com a Área da Europa Continental”.

Os peritos da ENTSO-E realçam que, “apesar da correta ativação dos planos de defesa do sistema, a natureza e a magnitude dos eventos em cascata levaram ao colapso total dos sistemas espanhol e português numa questão de segundos”.
Andrea Neves - Antena 1 | Foto: António Pedro Santos - Lusa

Após o apagão, o processo de restauro começou imediatamente e foi concluído em 12 horas em Portugal e 16 horas em Espanha, devido a procedimentos de restauro abrangentes, estratégias de contingência e total empenho dos operadores de sistemas de transmissão, sistemas de distribuição, produtores e outras partes.

O restabelecimento do sistema elétrico em algumas regiões dos sistemas português e espanhol foi facilitado, entre outras medidas, pela ativação de recursos do sistema elétrico, como os processos de arranque a frio em determinadas centrais, e pelo aproveitamento das interligações existentes com França e Marrocos.O relatório sublinha que o apagão que afetou Portugal e Espanha foi o incidente mais grave e sem precedentes no sistema elétrico europeu em mais de 20 anos.

Com base nestas conclusões, o Painel de Peritos apresenta recomendações para ajudar a prevenir eventos semelhantes no futuro.

“Estas recomendações incluem o reforço das práticas operacionais, a melhoria da monitorização do comportamento do sistema e uma coordenação e troca de dados mais estreita entre os intervenientes do sistema elétrico. As conclusões da investigação realçam ainda a necessidade de adaptação dos quadros regulatórios para acompanhar a natureza evolutiva do sistema elétrico”.
Andrea Neves - Antena 1 | Foto: Patrícia de Melo Moreira - AFP

O apagão de 28 de abril de 2025 foi um acontecimento inédito, e as recomendações visam reforçar a resiliência do sistema com soluções que já são tecnologicamente implementáveis.

“Este apagão destaca como os desenvolvimentos a nível local podem ter implicações em todo o sistema e sublinha a importância de manter fortes ligações entre o comportamento e a coordenação dos sistemas locais e europeus, garantindo simultaneamente que os mecanismos de mercado, os quadros regulamentares e as políticas energéticas se mantêm alinhados com os limites físicos do sistema”.

Recorde-se que, a 28 de abril de 2025, Espanha e Portugal atingiram o nível 3 de gravidade do incidente, em consequência da perda de procura na Península Ibérica e da total ausência de tensão. Em França, o nível mais elevado de gravidade do incidente atingido foi o 1 – violação das normas de tensão – devido à elevada tensão experimentada em consequência do incidente.
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