REN admite rever e enterrar alguns traçados de linhas de alta e muito alta tensão

REN admite rever e enterrar alguns traçados de linhas de alta e muito alta tensão

A Redes Energéticas Nacional (REN) admite rever e enterrar alguns traçados de linhas de energia e alerta que esta situação poderá provocar um aumento do valor da energia até 40 por cento, adiantou fonte da empresa.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

"Enterrar um quilómetro de linha custa cinco milhões de euros. Existem em Portugal sete mil quilómetros destas linhas, o que significaria que os consumidores de energia eléctrica passariam a pagar mais 30 ou 40 por cento do valor de um quilowatt por hora", disse à Lusa o Director Coordenador da REN, Artur Lourenço.

Se fossem enterrados mil quilómetros de linhas, o aumento "seria na ordem dos 15 por cento", exemplificou Artur Lourenço acrescentando que estes são "números dados por alto".

Quando questionado sobre alteração aos traçados, Artur Lourenço admitiu que a REN poderá rever alguns, embora considere não existir "nenhum traçado ilegal".

"Nós não temos nenhum traçado ilegal. A lei portuguesa não proíbe de passar com a linha por cima de uma casa, mas nós em princípio não o fazemos, salvo aquelas situações em que tem mesmo que ser", disse.

A REN anunciou recentemente que vai alterar o traçado previsto da linha de muito alta tensão entre Portimão e Tunes, que tem sido muito contestado pela população local, de forma a diminuir "o impacto sobre a zona onde foram recentemente encontrados vestígios arqueológicos".

"No caso de Silves as pessoas diziam para colocarmos os postes a Norte, mas aí é Rede Natura e não há regulamento nenhum na União Europeia que nos deixe construir", comentou Artur Lourenço.

"Na Rede Natura não há casas, portanto temos que ir para o mesmo sítio das pessoas", acrescentou.

Segundo o Director Coordenador da REN, esta empresa está obrigada pelo contrato de concessão a proceder à instalação de linhas que evitem apagões das sub-estações.

"É, digamos, uma ordem. O contrato de concessão diz que temos obrigação de prever os consumos que faltam, construir as linhas a tempo, planear, pedir autorizações, e por aí fora", disse.

A desactivação da linha de muito alta tensão, que liga as sub-estações de Fanhões e Trajouce, percorrendo o concelho de Sintra, poderá provocar uma quebra do abastecimento a algumas zonas de Lisboa, inclusive a residência do Presidente da República.

A colocação destas linhas junto a habitações tem sido muito contestada pelas populações a nível nacional como se denota na criação do Movimento Cívico Nacional para o enterramento das linhas de muito alta tensão.

Este movimento cívico tem sido uma das vozes activas, juntamente com a presidente da junta de freguesia de Monte Abraão, Fátima Campos, contra a instalação desta linha.

Como resultado de uma providência cautelar interposta por esta junta de freguesia, a REN viu o Tribunal Central e Administrativo do Sul ordenar a suspensão do transporte de energia nesta linha.

Decorre no Tribunal Fiscal e Administrativo de Sintra uma acção principal interposta pela junta de freguesia de Monte Abraão contra a REN, para que suspenda o transporte de energia nesta linha, estando a audiência marcada para dia 23 de Novembro.


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