Representantes de emigrantes portugueses lamentam decisão de encerrar vice-consulado de Osnabrück
Berlim, 16 nov (Lusa) - Representantes de emigrantes portugueses da área consular de Osnabrück (Alemanha) consideraram hoje "lamentável" a decisão do Governo de encerrar o vice-consulado local, sublinhando o elevado número de atos consulares que pratica, com reduzidas despesas.
"Trata-se de uma decisão lamentável porque os portugueses vão ter de se deslocar muito longe para tratar dos seus assuntos consulares em Dusseldorf, e a sua participação cívica em eleições por exemplo, também sairá prejudicada", disse à Lusa o padre Vítor Medeiros, de Münster, membro do conselho consultivo junto do vice-consulado.
Opinião idêntica defendeu o conselheiro das comunidades portuguesas na Alemanha, Alfredo Cardoso, eleito pela área de Osnabrück.
"Querem retirar-nos uma fatia de Portugal, o que nos vai afastar ainda mais uns dos outros, e aumentar a abstenção em futuras eleições, o que é lamentável", disse à Lusa.
"Não é nas grandes cidades, como Dusseldorf ou Hamburgo, que está a maioria dos portugueses, o vice-consulado de Osnabrück tem uma atividade muito superior no atendimento ao público do que outros postos consulares neste país", acrescentou Vítor Medeiros.
A área consular de Osnabrück abrange a Baixa-Saxónia, que tem a segunda maior superfície entre os 16 Estados federados alemães, e ainda a cidade-Estado de Bremen/Bremerhaven, zonas em que vivem mais de 20 mil portugueses.
O rácio de atendimento consular por funcionário é de 2.039 atos consulares por ano, o triplo do que é praticado nos consulados de Hamburgo, Frankfurt e Dusseldorf, e o dobro de Estugarda, disse à Lusa uma fonte diplomática.
No que respeita a custos, Osnabrück gasta apenas um quarto do que gastam os consulados-gerais de Hamburgo e de Dusseldorf, e tem um terço das despesas do consulado-geral de Estugarda e do vice-consulado de Frankfurt.
Este último posto consular também está na lista de encerramentos hoje divulgada pelo MNE, o que já motivou uma manifestação de protesto dos portugueses residentes na região, a cinco de novembro.
"Com esta medida, estamos a empobrecer também a presença de Portugal nesta região, que é muito importante para a comunidade", advertiu Vítor Medeiros.
O padre português admitiu que possa voltar a haver protestos de rua, como sucedeu em 2003, quando o governo de Durão Barroso, em que José Cesário também era secretário de Estado das Comunidades, como atualmente, tentou encerrar o então consulado-geral de Osnabrück.
A decisão, no entanto, foi sendo protelada, o posto manteve-se aberto, como escritório consular, e em outubro de 2010 passou a ser vice-consulado.
Na opinião de Vítor Medeiros, poderá voltar a haver protestos contra a decisão de encerramento, e está decidido a juntar-se a eles.
"Claro que apoiarei os protestos, porque além de ser sacerdote também me sinto visado, também sou um português emigrado", sublinhou.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, anunciou hoje no parlamento que Portugal vai encerrar sete embaixadas, quatro vice-consulados e um escritório consular, uma reforma que vai permitir poupar 12 milhões de euros em 2012.
As embaixadas portuguesas que vão ser desativadas são Bósnia-Herzegovina, Estónia, Letónia, Lituânia, Malta, Quénia e Andorra.
Paulo Portas acrescentou que a jurisdição do vice-consulado de Frankfurt (Alemanha) vai passar para Estugarda, Osnabruck para Dusseldorf, a de Clairmont-Ferrand (França) passa para Lyon e Nantes para Paris. O escritório consular de Lille passará para Paris.