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Robô de diagonóstico de medicina tradicional chinesa lançado em Portugal

Robô de diagonóstico de medicina tradicional chinesa lançado em Portugal

Um robô de diagnóstico e produção de Medicina Tradicional Chinesa (MTC) desenvolvido em Macau vai começar a ser oficialmente usado em Portugal, com os olhos postos no Brasil e outros mercados de língua portuguesa.

Lusa /

Conhecido como Herbizon, trata-se de um robô que produz bebidas MTC à base de ervas e assenta em tecnologia desenvolvida em conjunto entre a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês), e um laboratório de MTC estabelecido na zona económica especial da vizinha Hengqin (ilha da Montanha) pela Universidade de MTC de Guangdong.

Segundo o responsável do projeto, após superar um ano de testes numa clínica em Lisboa, o robô será formalmente lançado em 17 de abril na Egas Moniz School of Health & Sciences, em Almada.

Hon Chitin, investigador da Faculdade de Engenharia de Inovação da MUST, disse que o robô responde à falta de profissionais qualificados em MTC em áreas rurais ou mais remotas.

O projeto teve origem em 2023, quando Hon identificou um estrangulamento logístico na prestação de cuidados de MTC.

"Tradicionalmente, a preparação de uma única prescrição de MTC exige a recolha de ervas cruas e a sua cozedura durante um período que pode chegar a cinco horas, seja em casa ou num hospital. Normalmente, demora pelo menos meio dia", afirmou Hon, observando que os recursos médicos de qualidade de MTC na China estão frequentemente concentrados nas grandes cidades.

O professor idealizou então um sistema que pudesse fornecer um "serviço de MTC padronizado e de qualidade" em áreas rurais ou distantes, automatizando tanto a avaliação como a preparação da bebida.

A abordagem de engenharia de Hon foi inspirada por uma unidade de fabrico de mil metros quadrados na cidade chinesa de Wuhan, que utilizava um grande braço mecânico para triar mais de mil tipos de ervas.

"Pensei que, se eles conseguem operar por máquina, nós podemos fazer em pequeno", recordou Hon.

O dispositivo resultante, fabricado na cidade de Zhongshan, na província de Guangdong, condensou a capacidade industrial numa única caixa.

O sistema gerou uma biblioteca interna de 14 fórmulas de chás inteligentes, selecionadas entre mais de 1.300 substâncias, e consegue entregar uma bebida à base de ervas personalizada em três a oito minutos.

A inteligência artificial que opera o Herbizon baseia-se num modelo de linguagem de grande escala treinado em extensa literatura médica e clássicos antigos, integrado com o modelo DeepSeek Pro.

Segundo Hon, este cérebro digital foi concebido para resolver o problema crónico da inconsistência diagnóstica na MTC, onde diferentes médicos chegam frequentemente a conclusões distintas para o mesmo paciente.

"Queremos que seja estável e consistente", explicou à Lusa. "Mesma pessoa, mesmo diagnóstico, mesmo resultado, mesmo que repetido cinco vezes", acrescentou.

O robô executa esta tarefa integrando quatro métodos de diagnóstico clássicos - inspeção do rosto e da língua, auscultação, inquérito e análise de pulso - através de perceção multimodal.

De maneira a comercializar o projeto foi criada a companhia Zhuhai Herbizon Technology Co., Ltd., com o sistema atualmente protegido por mais de 10 tecnologias patenteadas e 50 marcas registadas.

Segundo Hon, embora o robô já esteja ativo em 20 locais na China, o ensaio português serve como um indicador regulatório pois o dispositivo está licenciado em Portugal como um dispensador de bebidas, em vez de um instrumento médico.

Hon observou que, embora a acupuntura seja amplamente aceite no Ocidente, a medicina à base de ervas ainda enfrenta um escrutínio mais rigoroso por se relacionar com o sistema digestivo.

"A regulação será mais restritiva", disse, embora sustente que, para esta máquina, "a qualidade de todo o processo" está garantida.

Hon encara o robô como uma forma de colmatar o fosso entre a medicina ocidental, que depende de testes clínicos para alvos únicos, e a MTC, que aborda os problemas a partir de múltiplos ângulos e através de vários órgãos humanos.

"É uma mistura de muitas coisas em termos de química", afirmou Hon.

Após o ensaio em Lisboa, a equipa pretende concentrar-se no mercado da China continental durante dois a três anos para ganhar escala, antes de regressar para se expandir para o Brasil e outros mercados de língua portuguesa.

O robô será apresentado no mesmo dia que se realiza o primeiro Simpósio para o Desenvolvimento de Alta Qualidade da MTC em Portugal, organizado pela Sociedade Portuguesa de Medicina Chinesa.

O evento deverá incluir a assinatura do Consenso de Lisboa 2026, um documento que visa estabelecer Portugal como uma plataforma europeia para a MTC.

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