S. João de Deus e Lagarteiro mais seguros sem esquadras
Um estudo da PSP, classificado como reservado e a que a Lusa teve hoje acesso, assegura que os bairros problemáticos de S. João de Deus e Lagarteiro, no Porto, ficam mais seguros se fecharem as suas esquadras.
Segundo o Estudo da Reestruturação do Dispositivo Policial da Cidade do Porto, o encerramento das duas esquadras permitiria libertar 24 agentes, actualmente em funções burocráticas, para reforço do dispositivo operacional.
Com esta "melhor gestão dos recursos humanos" seria possível um patrulhamento de proximidade e visibilidade "de forma que a população tenha a consciência das presença sistemática do dispositivo policial nas ruas", lê-se no documento que o Comando Metropolitano tem entre mãos.
Ainda assim, reconhece-se que o fecho das esquadras de S. João de Deus e Lagarteiro - ambas na freguesia de Campanhã, a maior da cidade - poderia potenciar um "sentimento de perda" de segurança das populações.
A serem seguidas as recomendações do estudo, a desactivação da 2ª esquadra, no Bairro de S. João de Deus, implicará que o patrulhamento daquela zona passe para a responsabilidade da 6ª, situada na Rua Naulila.
Os autores do documento propõem também o fecho da 5ª esquadra (Bairro do Lagarteiro), passando o policiamento da zona para a responsabilidade da 4ª (S. Roque da Lameira).
As duas esquadras ameaçadas de encerramento têm instalações entre o razoável (5ª) e o mau (2ª), o mesmo número de polícias (23 cada), mas indicadores de criminalidade antagónicos.
A criminalidade registada na 2ª esquadra não vai além de 0,5 por cento do índice global da cidade, enquanto que a 5ª esquadra enfrenta a mais alta criminalidade do Porto, com 12 por cento das ocorrências participadas.
Neste estudo, que abrange toda a organização policial na cidade do Porto, propõe-se o fecho de mais duas das 15 esquadras, actualmente existentes em todo o perímetro urbano: uma em Cedofeita (11ª, Praça Coronel Pacheco) e outra em Paranhos (13ª, Monte dos Burgos).
Segundo o estudo, a 11ª esquadra tem uma área de intervenção reduzida, fica apenas a 500 metros da 12ª, regista baixa criminalidade (589 ilícitos nos dois últimos anos), conta com poucos polícias (37) e as instalações são más.
Também a 13ª esquadra regista baixa incidência criminal (545 crimes no último ano), além de cobrir uma área diminuta, de 3,4 quilómetros quadrados.
No estudo propõe-se que o serviço da 11ª esquadra passe para a responsabilidade da 12ª (Rua e freguesia de Cedofeita) e o da 13ª para a alçada da 8ª (Campo Lindo, freguesia de Paranhos).
O grupo de trabalho que elaborou estas propostas defende igualmente a criação, "em fase oportuna", de uma esquadra na freguesia de Lordelo do Ouro.
Recomenda, por outro lado, um redimensionamento das áreas de intervenção das esquadras, fazendo-as coincidir com o limite de freguesias ou grupos de freguesias.
O conjunto constituído pelas quatro freguesias da zona histórica (Miragaia, S. Nicolau, Sé e Vitória) ficaria dependente da 9ª esquadra, sendo agregadas à 15ª esquadra as freguesias da Foz do Douro e Nevogilde.
Já a 16ª esquadra responderia pela segurança em Aldoar e Lordelo do Ouro, enquanto esta última freguesia não fosse dotada com as novas instalações, preconizadas pelo grupo de trabalho.
Santo Ildefonso (7ª), Ramalde (18ª), Massarelos (17ª), Bonfim (3ª) e Paranhos (8ª) teriam esquadras exclusivas.
Excepção à regra, seria Campanhã, que continuaria a beneficiar do serviço de duas esquadras, a 4ª (S. Roque da Lameira) e a 6ª (Naulila).
A reorganização das esquadras iria permitir, segundo o estudo, uma distribuição equilibrada dos polícias pela cidade, num rácio de um agente por 329 habitantes, um por 18 crimes e 19 por quilómetro quadrado.
É a forma de se obter "ganhos de segurança para os cidadãos" e "maior satisfação profissional" dos polícias, asseguram os autores do estudo., O Comando da PSP dp Porto não respondeu, em tempo útil, ao pedido da agência Lusa para esclarecer se vai seguir as recomendações do estudo e, nessa eventualidade, quando o fará.