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Santana Lopes "tranquilo" com investigações do processo Bragaparques

Santana Lopes "tranquilo" com investigações do processo Bragaparques

O antigo presidente da Câmara de Lisboa Pedro Santana Lopes disse hoje estar "tranquilo" relativamente às investigações sobre as negociações do município com a Bragaparques, lembrando que foi por sua iniciativa que o processo foi enviado às autoridades.

Agência LUSA /

Questionado pelos jornalistas à saída do plenário da Assembleia da República sobre se estava tranquilo relativamente às investigações da Polícia que estão a decorrer, Santana Lopes garantiu estar "muito, muitíssimo" tranquilo, considerando normal vir a ser ouvido no âmbito do processo.

"As autoridades sabem quem entendem ouvir e acho muito bem que me queiram ouvir. Estranho seria que não fosse ouvido", afirmou Santana Lopes, referindo-se à notícia do jornal Público que adianta que o antigo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, assim como o seu sucessor, Carmona Rodrigues, serão ouvidos no âmbito das investigações às negociações do município com a Bragaparques.

A este propósito, Santana Lopes recordou que foi ele que enviou todo o processo que envolveu a compra da Bragaparques de parte dos terrenos da Feira Popular em hasta pública, depois de a câmara ter dado o direito de preferência àquela empresa, considerando por isso "normal" que as autoridades o queiram ouvir.

"Fui eu que enviei o processo às entidades competentes quando regressei à câmara (Ó) e já depois da hasta pública. Mesmo assim, decidi enviar a documentação para as entidades competentes", referiu.

O antigo presidente da autarquia garantiu, contudo, que a sua decisão de enviar a documentação para as autoridades não teve que ver com qualquer "suspeita", mas por ter "dúvidas jurídicas" sobre a forma como decorreu a hasta pública e por não saber "se havia ou não lugar ao direito de preferência".

Santana Lopes recordou também que enquanto participou no processo pediu sempre ao Tribunal da Relação de Lisboa para acompanhar as avaliações dos terrenos do Parque Mayer realizadas quer pelo município, quer pela Bragaparques.

"Enquanto presidente da câmara entendi sempre não participar nas reuniões com a Bragaparques", adiantou ainda Santana Lopes, recordando igualmente que parte dos terrenos do Parque Mayer foram comprados pela Bragaparques quando a autarquia era ainda liderada pelo socialista Jorge Sampaio.

O agora deputado social-democrata reconheceu ainda que a solução encontrada por Carmona Rodrigues para o Parque Mayer (que implicou uma permuta com parte dos terrenos da Feira Popular e posterior hasta pública da parcela restante da área do antigo parque de diversões) não era aquela que mais lhe agradava, e que só não avançou para a expropriação dos terrenos porque era demasiado caro.

Questionado sobre se entende que o actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa tem condições para se manter no cargo, Santana Lopes disse que se irá "coibir" de fazer qualquer comentário, deixando a decisão para os intervenientes no processo.

Contudo, o antigo presidente do município não deixou de admitir que se trata de "uma situação muito desagradável" e que "faz pena ver tanta obra posta em causa" por este problema.

Santana Lopes fez ainda questão de recordar o "muito" que lhe "custou" deixar a autarquia, depois de o líder social- democrata, Marques Mendes, ter recusado apoiar a sua recandidatura ao cargo, preferindo colocar Carmona Rodrigues como cabeça de lista.

"Quem tinha de decidir era o povo se queria ou não que eu continuasse, mas foi uma decisão do presidente do partido", salientou, remetendo para mais tarde o seu comentário à situação política de todo o processo.

"Sobre a questão política, por enquanto não quero falar", disse.

Instado a comentar o pedido do dirigente social- democrata Luís Filipe Menezes para que Marques Mendes se demita da liderança do partido, Santana Lopes escusou-se a fazer comentários, lembrando que o presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia "não teve as mesmas responsabilidades" que ele.

A PJ e o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) realizaram terça-feira buscas a instalações da Câmara de Lisboa, no âmbito da investigação ao negócio da permuta de terrenos do Parque Mayer e da Feira Popular.

Após a recolha de documentos pela PJ e pelo Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP), que visaram também os escritórios da Bragaparques e a EPUL (Empresa Pública de Urbanização de Lisboa), a vereadora do Urbanismo, Gabriel a Seara, e o director municipal de Serviços Gerais, Remédio Pires, foram constituídos arguidos.

Foram também realizadas buscas nas casas de Fontão de Carvalho, vice-presidente do município, e Gabriela Seara, vereadora do urbanismo, que quinta-feira suspendeu o mandato na autarquia por oito meses, prazo previsto para o final das investigações.

A PJ suspeita de crimes como participação económica em negócios, tráfico de influências e corrupção.

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