Santos Silva acusa líder do PSD de acolher "velhacamente" insinuações
O dirigente socialista Augusto Santos Silva acusou quinta-feira, em Coimbra, o líder do PSD de ter "acolhido velhacamente" as insinuações sobre a licenciatura do primeiro-ministro José Sócrates, que quarta-feira esclareceu na RTP o seu processo académico.
Num plenário de militantes, para assinalar os dois anos de governação socialista, o actual ministro dos Assuntos Parlamentares criticava assim o líder do principal partido da oposição, que exigiu uma averiguação de uma entidade independente ao percurso académico do chefe de Governo.
Depois da entrevista à televisão pública do primeiro-ministro, Marques Mendes considerou as explicações de José Sócrates pouco convincentes, considerando que não está em causa apenas um lapso "mas uma falha de carácter que mina a credibilidade".
Para Santos Silva, que discursou durante quase uma hora, o "líder do PSD fez acusações absolutamente graves e infundadas, falando da suposta demonstração de uma suposta falha de carácter do secretário-geral do Partido Socialista".
"Acusar um adversário político de falta de carácter já revela alguns problemas de carácter. É preciso explicar à direita, que quando olha para nós não se vê ao espelho", comentou o dirigente socialista.
Na sua intervenção, Santos Silva afirmou que o Governo, a meio da legislatura, conseguiu resultados muito positivos nos domínios da consolidação das contas públicas, reformas estruturais em vários sectores e adopção de novas políticas sociais.
Destacou que, em 2006, o executivo do PS conseguiu baixar o défice orçamental de 6 para 3,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) e fez crescer a economia em 1,3 por cento, mais duas décimas do que as previsões.
Segundo Santos Silva, a economia nacional "cresceu de uma forma nova e melhor porque cresceu apoiada nas exportações e num novo perfil das exportações portuguesas", constituído por alguns sectores de alguma intensidade tecnológica que têm ganho cota de mercado "quer ao nível global quer nos mercados mais exigentes".
"No que diz respeito ao desemprego, nós conseguimos o primeiro objectivo intermédio que foi diminuir e estancar o crescimento do desemprego. Gostaria de recordar que o desemprego cresceu mais de 50 por cento no ciclo da direita, que encontrou uma taxa de 4,1 e deixou o Governo com uma taxa de 7,5 por cento", frisou o dirigente nacional.